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sexta-feira, abril 14, 2017

April

O dia tá esquisito, mas de autorreflexão.

Notei que é segunda ou terceira páscoa em que estou mal. Nada que ver com a páscoa, mas há algo sobre Abril.

O celular está no silencioso; ou estava, acabou de tocar. Novamente está no silencioso.

Tem muita coisa errad que precisa ser corrigida sobre mim e parece que tá tudo junto, então vou escrever o que vier à cabeça, sem muita pretensão de fazer sentido ou contar história.

Preciso recuperar minha senha do flickr, pra continuar aquela história.
Estou escrevendo aqui, para continuar a história.
A história sobre mim. Que, apesar de achar o contrário quase sempre, só interessa a mim.
Preciso parar com essa síndrome de celebridade. Ainda me falta 1 para 400 seguidores no instagram. Sendo a maioria spam gringo não-solicitado. (risos autodepreciativos e vergonhosos por isso?)

Eu poderia fazer um blog novo, pessoal. "Pessoal", rs. Todo mundo tem mania de celebridade.
Eu queria uma coisa nova. Eu achei as fotos do meu feed no instagram muito feias. Escuras ou opacas, sempre com cara de baixa qualidade e a cara da pobreza. Até aí, paciência, sou pobre.
Eu queria um feed novo. Ou um instagram novo. Pra postar comidinhas bonitinhas.

Engraçado.
Ainda hoje li uma fotógrafa que gosto muito falando sobre "não ignorar o passado, o caminho, pois você só está onde está, por conta dele". O que soa muito clichê agora que vi escrito, e em português, mas não passa da verdade.

O que eu ia dizer é que: minhas fotos feias e mal iluminadas (as quais, muitas vezes, as fiz assim intencionalmente, para que ninguém descobrisse minha real identidade fotógrafa, pois sou louca varrida da cabeça...) me inspiram. Eu olho pra elas e tenho ideias, relembro, vejo que posso fazer coisas que não venho fazendo.

Escrever sempre me fez bem. Fiz o AECF para escrever mais livremente sobre esse assunto (comida, ser gorda), desvinculando tudo isso da minha imagem perfeita (que só existe na minha cabeça, visto que não sou alguém famosa e não existe ninguém cobrando absolutamente nada em relação à perfeição de mim.).
Antes desse, tinha outro blog. Que estou tentando acessar nesse momento, para ver se posto este texto lá ou aqui.
O importante é que eu preciso de um espaço.

A verdade é que eu preciso de tantas coisas.
A psicóloga me diz que a compulsão alimentar vem do guardar rancores e sentimentos. Provável.

O que há com Abril? Seria o aniversário da minha mãe, que se torna, então, o meu inferno astral?

Dentre o que preciso, consigo destacar facilmente:

o meu apartamento.
dinheiro.
paz na cabeça.
emagrecer.

temporários imediatos:
parar de comer tanto nessa páscoa. ou em todas, não reparei.
pentear o cabelo.
estudar. não consigo concentrar.
sacudir a semi-depressão que se instalou.

Desde ontem, quando prometi à minha melhor amiga, não estou com muita vontade de me entregar à vontade autossabotadora de comer já aquele ovo de páscoa ali.
Don't get me wrong, não é como se eu tivesse em dieta (até estou, passada pela nutricionista!-mas não estou seguindo), sem comer um chocolatinho sequer.

A compulsão.
Desde sábado passado, comi o total de 3 caixas de bombom, 6 barras de chocolate. Inteiramente sozinha. (B. comeu uns 3 bombons de uma dessas caixas, mas não acredito que conte, não é verdade?)

A psicóloga me pergunta se havia culpa, depois.
Não, lhe respondi.
Mas houve culpa depois de comer uma barra que ganhei no trabalho, inteira, sozinha, no próprio trabalho. Me senti um lixo. Provavelmente por estar "em público" (não havia ninguém perto no momento, só a câmera) e pela possibilidade de ser julgada por isso.

O outro navegador não quer abrir, ainda não tentei logar no outro blog, vou postar isto aqui mesmo.
No fim das contas, tem tudo a ver com emagrecer (não emagrecer).

Eu noto que tenho vontade de me sabotar o tempo inteiro.
Eu desconfio que tenha vontade de postar aqui e não no outro blog, pessoal, para me sabotar.
Eu tenho uma vontade oculta que minhas amigas descubram esse blog e venham aqui ler minhas vergonhas, struggles. Duas amigas específicas. Uma, eu queria até mesmo compartilhar esse blog. A outra, queria que lesse e me julgasse, me achasse patética.

Por que faço isso comigo?

A resposta, eu sei.

terça-feira, março 17, 2015

Blablababbling

Eu tô me sentindo meio deprimida em relação ao emagrecimento. Meio de março! Nenhuma mudança! Eu não sei exatamente onde estou errando, mas, definitivamente, estou.

De fevereiro pra cá, tenho tentado todo tipo de approach. Tentei contar calorias, tentei comer saudável, tentei cortar besteiras, tentei não me pesar frequentemente, tentei suco verde detox, tentei só viver, tentei respirar emagrecimento... alguma coisa tá errada  tudo isso costumava funcionar! E isso tá me assombrando. Pra enumerar os fantasmas, tem o medo gigante desse ano ser em vão, às vezes rola o medo de engordar tudo de novo (logo descarto esse pensamento, pra não virar algo maior, mas não nego que cruza minha mente) e tem o medo de eu ter parado de emagrecer, simplesmente, porque acabei de emagrecer. Pronto, é esse meu corpo final, com 120kgs. Sei que não é. Mas é tanta coisa na cabeça... acho que fico procurando uma resposta, não encontro, então fico dando voltas, tentando, de novo, encontrar alguma coisa. Às vezes parece que só a Dukan é a solução. E como eu odeio ter feito a Dukan. Pego ela pra ser a encarregada da culpa. De lá pra cá, meu corpo não quis mais emagrecer. Eu odeio ter feito a Dukan. E eu odeio sentir que só tem essa opção pra emagrecer. Odeio pensar que faria, emagreceria e depois engordaria tudo de novo, pois se trata de uma dieta restritiva.

Eu não sei mais o que fazer. Mas continuo pensando no que poderia.

Caminhar... sim. Poderia caminhar. Mas... não... quero. Tô me sentindo... stuck, impedida. Quero tanto a porra da academia e dependo de dois médicos pra me liberar, sendo o primeiro só em abril! Médico que eu tô marcando desde os primeiros dias de JANEIRO! Esse médico vai pedir exames. Até marcar os exames, até sair o resultado dos exames, até conseguir data pra voltar na primeira médica, que vai dar o atestado... sinceramente! Sinto que só vou conseguir academia em junho. E agora já tô pensando que isso, só com sorte.

Sei dos meus excessos, mas sei também do conjunto da obra. Tenho me alimentando bem, na maioria do tempo. Acho que fico puta da vida que meus deslizes estão me impedindo de emagrecer, quando, antes, não impediam assim. Talvez esteja insatisfeita em ter que mudar, começar de novo, ou sei lá. Me sinto tão confusa, chateada, frustrada, chorosa. Só queria voltar pro tempo bom em que eu emagrecia.

Talvez eu dê uma carga muito forte de significado pra cada encerramento e começo de ano. Talvez seja isso. Eu estou dando força pra 2015 ser um fracasso, porque o ciclo 2014 fechou, acabou. Talvez eu só precise querer mais. Às vezes tenho medo de tudo ser um grande mimimi da minha parte; temo que, se me esforçar, consiga. Vai ver meu maior medo é que eu POSSA mudar, que só dependa de mim, e que EU tenha feito todo esse período de três meses de nada. EU. Culpa MINHA. Talvez seja isso. Talvez não queira ser responsável pela minha infelicidade e estagnação.

O novo approach (que não deve durar muito ou nem acontecer) é deslogar do instagram fit cheio de gente bem sucedida, seja já com seus objetivos alcançados ou lutando, e me concentrar só em mim, na MINHA história. Nas MINHAS dificuldades, na MINHA superação, nas coisas que EU aprendi. Damn, parece que meus 35kgs a menos não valem de nada! Sabe? Eu não dou a menor importância pra eles! E por que? Por que? Eu deveria! São trinta e cinco quilos a menos, NÃO recuperados! Tá, trinta e quatro, UM recuperado. Por que eu não valorizo isso? Porque eu não valorizo MINHA história? Por que a MINHA história não é suficiente pra eu me inspirar?

Quero chorar.

sexta-feira, março 13, 2015

Compulsão alimentar ou safadeza?

Sexta à noite, perto das nove. Estou em casa, fazendo nada, como gosto, e está perto da hora de comer. A vontade de mastigar já está um pouco forte demais, uso minha aliada: a cozinha. Cozinhar perto da hora de comer sempre me permite aguardar o tempo de comer. Resolvi fazer uma sopinha. Daquelas de caldo ralinho mesmo, queria assim. Eu, que sou a não-entusiasmada número 01, quando se trata de sopas. Piquei chuchu, batata e cenoura que, mais tarde, iriam pro refogado junto da cebola e a manteiga sem sal. Tudo lindo, bonito, o cheiro já gostoso no ar. Um cheiro até de conforto, que é suposto das sopas trazerem. Já pensando na vontade de docinho que me dá depois de almoçar/jantar comida de verdade, sem ser lanche, me encorajei a preparar um arroz doce integral. Tudo caminhando bem, até que...

Não me lembro bem o que fui procurar no armário da dispensa, acho que macarrão pra sopa, que nem usei. Abri, olhei, demorei três segundos pra lembrar o que queria ali, o de sempre. Mas, em algum lugar no meio disso, a cilada: em cima do armário, um pacote daqueles de meio quilo de pão de mel. Foi imediato. Me chamou, eu fui. Literalmente seduzida e com zero esforço por parte do meu sedutor. Resisti por, sei lá, 57 segundos, repassando na cabeça a teoria do primeiro gole, o cuidado que tenho tentado ter de reduzir porcaria e carboidrato simples depois das dezoito, a sopinha tão gostosa que só existiu com o propósito de ser minha janta, o arroz doce que já seria minha porção de doce logo mais... Não deu. Ou eu não quis. Eu sinto mais como se eu tivesse jogado um monte de papel pro alto, por vontade própria. Após dar voltas e voltas na cozinha, como quem aguarda um bebê no saguão, eu me rendi.

"Foda-se, eu quero."
"Tanto faz, melhor comer do que guardar a vontade e ela piorar."

"Só trêszinhos pra matar a vontade! (...) Pronto, passou."
"Nem é tão gostoso, tá vendo que seco?"  E então eu voltava como uma viciada em heroína pro pacote de pão de mel. Mais três, mais três, mais um pra completar número par.

Já estando ali, com a boca cheia de... fracasso/liberdade/raiva/prazer, por que, então, parar? Eu escrevo agora, repassando meticulosamente a cena, mas a verdade é que, na hora, não penso muito. Até penso. Talvez pense muito, sim. Mas é tudo tão misturado! A boca e as mãos atacando em equipe, meu corpo como se estivesse aumentando de tamanho, se transformando num rei momo monstro que domina, e eu, a parte que luta, encolhendo e me desfazendo, dentro da carcaça. Tudo isso mais rápido do que se pode acompanhar. Mais três fatias de bolo da padaria.

Não me lembro claramente do depois. Só lembro quando estava no fogão, agilizando a sopa e encarando-a vagamente, talvez com vergonha, talvez desorientada.

A sopa estava ótima, repeti.
O arroz doce, queimei enquanto escrevia o primeiro parágrafo.

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Choramingos

(...)

O que um 2014 inteirinho teve de bom, em relação a emagrecimento, em 2015 não teve ainda. Tá massante. Tá sofrido.

Já estamos em fevereiro e as coisas não andam, o peso não diminui! Não vou dizer que a dieta/alimentação tá cem por cento, porque não tá. Mas as escorregadas, os desvios... nossa, já cometi muito mais e continuei emagrecendo. Será porque avançou um ano e tô biologicamente mais velha? Será que já tá mais difícil pra emagrecer?

Pra completar, sinto que em breve serei diagnosticada com uma doença que sempre imaginei ter  e que dificulta o processo de emagrecimento. Veremos.

Sabe o que é? Não tem mais graça! Já passou um ano inteiro, já vi que é possível emagrecer, já emagreci, já aprendi a comer bem, já resisti a tentações... não tem nada novo! Parece que acabou o ano e... sei lá. Parece que ficou tudo lá em 2014 e, pra te contar, isso tá me dando um medo danado! Imagina: 2014 foi o ano que emagreci, 2015 foi o ano que recuperei tudo. Não. Por favor, não.

Eu tô cansada.

Não tem graça fazer tudo, ou a maioria das coisas, certinho e não perder peso. Não tem graça. Falta tão pouco, por exemplo, pra completar 40 quilos perdidos. 5 quilinhos... Me parece a eternidade!

Dia 12 tem médico. Esse médico vai me encaminhar pra um monte de médico e mais um monte de exame pra, sabe-se lá quando, me autorizar a começar na academia.

A vontade de escrever vai desaparecendo; no lugar, um misto de desânimo e vergonha... eu sei lá. Só vim escrever porque, quando as coisas tão feias pro meu emagrecimento, e venho escrever aqui, elas costumam mudar. Parecem querer me desmentir. Por exemplo, no dia seguinte do último post, voltei aos 119kgs! Hoje amanheci com 121... tá foda!

Não tem mais graça.

E vocês sabem, né? Frustração dá vontade de...? Isso mesmo, COMER!

terça-feira, janeiro 27, 2015

Post da vergonha

Como vão vocês? Me contem de vocês, porque eu...

Bem. Não tava nem me vendo postando aqui por esses dias. Mas já que estou aqui, vamos lá.

Ainda não voltei aos 119kg do fim do ano, muito menos aos 117kg que tava dias antes do dia 31. Triste. Tô tentando não pensar nisso, tô tentando levar de boa e tô tentando voltar à dieta. Ai... que loucura. Que chatice. Loucura ter comido o mundo no fim do ano, chatice ainda estar tentando voltar a minha vida normal.  Inclusive, soa estranho, chamar essa vida saudável, de "normal". Uau! Parabéns, eu!

Faltam 3 dias pra acabar o mês e eu tô sentindo todo esse janeiro jogado no lixo. Um mês desperdiçado, um mês que eu poderia ter perdido vários quilos! De uma certa forma, tô sendo levemente injusta comigo, visto que eu já consegui eliminar 5 dos 125 que pesava no início do ano. Mas é que... eu já estava em 117. Que retrocesso.

Perceberam que até hoje não falei do natal?

Ontem, me lamentando, prometi que não ia mais fazer loucuras no próximo natal. Vou dizer um número pra vocês: 4. Quatro foi o número de panetones que comi sozinha entre véspera de natal e ano novo. Ano novo inclui o período de primeiro à quinze de janeiro. A vergonha na cara, não sei, deve ter ficado em 2014 (não ficou não, que eu persisto!). Mas bem, a festa da comilança já passou, né? Eu tenho comido razoavelmente direitinho e até me exercitado. Que diabos eu não tô nos 117 ainda? (...)

Tô, a cada novo dia, tentando de novo. De novo, de novo e de novo. Cada dia acerto um pouquinho mais. Vou me moldando novamente, pra voltar forte às origens boas. Ando meio perdida, em relação a tudo. É como se fosse um novo começo, tudo de novo. Como se fosse dezembro de 2013 e eu tivesse aprendendo tudo agora. Estou meio bagunçada.



Em tempo, vocês tem instagram? Se tiverem, me façam companhia lá! :D Isso é um pedido, haha. Sei que já perguntei pra alguns, mas é que... vocês do blog são mais atenciosos. Vocês gostam de ler. Vocês comentam coisas que pensam, se importam em comentar... vocês são mais parecidos comigo. Ia me fazer bem ter vocês por lá :') @blogagoraeucomofolha

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Ah, a estagnação...

Aconteceu comigo nos 132kgs, está acontecendo comigo nos 119kgs. Pra chorar.

Como disse em posts atrás, minha meta de final de ano era terminar 2014 com 119kgs, no caso, 35 quilos perdidos desde o último dezembro. Whoa, bastante coisa! Ainda bem que não fui ozada e me coloquei meta de -40kgs, coisa que julguei ser fácil alcançar e que, provavelmente, alcançaria, se não tivesse sob essa coisa que mais parece um feitiço da bruxa má  HA! HA! HA! Para sempre ficarás presa neste peso! ~raios e trovões~

Coisa chata é essa de estagnação! A dieta tô fazendo certinha. Tava, pelo menos. De uns dias pra cá, já muito injuriada desse peso que não se altera, toquei o foda-se e andei comendo. Uns dizem que uns dias lixos dão um choque no organismo. O que me custava tentar? Nada! E, na verdade, nem tentei. Não comi com esse propósito. Comi pra comer mesmo!

O bom é que minha meta tá batida. O ruim é que tá chegando natal e ano novo: haverá comilança. Claro que não tanto como sempre, mas haverá. Lembro que, ano passado, já no processo de emagrecimento, fiz festival de pizza  congelada  aqui em casa. Fiz a festa! Foi válido. E não atrapalhou meu emagrecimento  nem o meu foco. Dias depois eu já tava de volta a minha normalidade. (...) Bem, eu acho. Eu poderia ser maluca e pensar que aquelas pizzas desencadearam a minha falta de seriedade e compromisso como nos primeiros dias. Mas eu estaria sendo louca. E chega de procurar problema! Sei muito bem que fui relaxando, porque a perda de peso foi acontecendo. E tá tudo bem! Chega de procurar por sofrimento! Chegaaa!

Bom, como eu ia dizendo, a comilança desse ano vai ser um pouquinho diferente. Terá uma torta de limão Dukan (torta de clight e leite em pó), a rabanada será de forno (o que me faz querer chorar, porque eu espero o ano inteiro pra comer a maravilhosa da rabanada, a rainha do natal, minha coisa preferida nas festas, o verdadeiro motivo da minha comemoração), o pastel será de forno (desde que vi num post da Sil que existe massa pronta pra ir ao forno, fiquei com aquilo na cabeça! Semana passada, achei a danada no mercado e comprei! Da menor circunferência, da menor quantidade. Só pra ter.) e o pudim... bom, o pudim eu ainda tô decidindo. Desde que vi umas pessoas desenformando o pudim dois leites Dukan e ele se quebrando, fiquei receosa e com vontade de fazer o normal mesmo, ainda que substituindo o leite condensado por um caseiro dietético. Também tem o pavê. O pavê da tradição. Todo santo final de ano tem, aqui em casa. É uma receita de família. Seria estranho não ter. Na verdade, eu não quero abrir mão. Posso fazer o pavê, só que numa travessa menor!

E esse é o problema. O fim do ano e suas comidas. Se manter nos 119-menos35. Se eu manter, tô feliz! O que não posso é perder esses números. Por isso, tava correndo atrás de uma margem de folga. Pra poder engordar no natal e ainda amanhecer dia primeiro do novo ano com minha meta batida intacta! Cara de pau Só sendo realista

Quem sabe?

segunda-feira, outubro 06, 2014

Gordura e osso.

Olhando foto de exatos dois anos atrás, pareço maior. Cheia de gomos de gordura nas costas, pernas que parecem "socadas". Não sei quanto pesava lá, mas fico feliz de estar diminuindo meu espaço físico no mundo.

No espelho, me enxergo menor. Magra, até. Pelo menos, pros meus padrões. Coisa boa. Minhas mãos na minha cintura sentem uma versão menor de mim. Minha cara, mais fina. Dia desses, toquei meu tendão do tornozelo, da parte de trás — descobri aqui no Google que o nome é "tendão de aquiles" — e, pela primeira vez, senti uma coisinha, igual de todas as pessoas que observei na vida. Já não era só mais uma coisa redonda. Falando nisso.

Tocar meu corpo é muito estranho. Eu tendo a ser um pouquinho louca das doenças, combinando isso com o fato de não gostar muito de ir ao médico. Somando à essa equação o fato de não ter plano de saúde e bastante disposição pra protelar na hora de tomar atitudes na vida, tipo correr atrás de um médico público. Mas estou pra resolver isso. O estranho, no entanto, é tocar meu corpo e não saber se aquelas coisas já estavam ali antes, se só nunca senti pela falta de espaço; este, ocupado tão somente pela gordura. Tudo parece estranho. Tecidos estranhos. Ossos. Partes duras. Ossos. É tudo muito estranho e não faço ideia do que seria normal. Não é igual em outras pessoas. É como se fosse um tecido todo danificado, em todas as partes do corpo. Os seios são a pior parte. Acredito que, por terem despencado, talvez tenham, literalmente, saído do lugar. Não sei. É estranho demais. As texturas... tudo. Estou tomando coragem de visitar a dona ginecologista pra me tranquilizar. Essa será, então, minha primeira consulta de pernas abertas. Tenho vinte e quatro anos. (...) Médico de médicos, essas coisas.

A pior parte da gordura sempre foi os outros. Ver os outros. Ser diferente dos outros. Parece um monstro gigante do lado dos outros. Esse mês, tive a oportunidade de tirar uma foto com uma cantora que gosto. A expectativa pra ver como as fotos tinham saído não terminava. Imaginei três mil e uma formas de como a foto poderia sair ruim. Sou boa entendedora de como sair bem e sair mal nas fotos. Era esperado que eu saísse mal.  Ou não. De repente, eu acreditava que poderia sair bem como em um selfie — Mas foi pior! Mesmo tendo imaginado tantas caras e situações que poderiam me acontecer na foto, foi pior! Ugh. A cantora com seus um e sessenta, toda magrinha e pequena. Eu lá, toda gorda e com meus mais de um e setenta e, em uma das fotos, com os ombros caídos. Meu peito empurrando o braço da moça. Meu peito DO TAMANHO do braço da moça. Por que tão grande? Frustrante. Vergonhoso. Embaraçoso! Onde me esconder? E se meus amigos 'de internet', que não me conhecem de corpo, vissem a foto e me identificassem? E se um amigo meu de perto, visse a foto e me marcasse? De novo: tantas possibilidades... nenhuma boa. Euzinha, na minha, só ignorei a foto com a querida da cantora. Não curti, não comentei, não compartilhei. Nada pra chamar a atenção. Não tuitei, não postei a foto cortada/melhorada no instagram. Nada. Aquele momento não existiu.

Eu tenho esse problema, sempre tive: não me vejo gorda como sou  Minha amiga brinca que é uma "anorexia invertida". Me sinto até bem, uma vez ou outra. Me sinto magra, "gorda-aceitável", ok... ou, dependendo do dia, bonita e até sexy. Sexy demais. — Mas não quando me colocam do lado de uma pessoa tão mignon. Tanto tempo eu não tinha essa sensação. É o colégio, tudo de novo. As amiguinhas de classe todas gostosinhas, vestindo 36 com corpão e aquela barriguinha no ponto, sexy, só com o meio levemente saliente e um piercing brilhante pra acompanhar — Fazia sucesso na época. Queria eu ter usado minha barriguinha de fora, feito um piercing tosquinho no umbigo e carregar um furo feio até hoje! (Nadíssima contra piercings, muitíssimo mesmo pelo contrário. O nariz torcido é só com o do umbigo mesmo.)

...E assim eu desperdicei a alegria da foto. Felicidade? Se foi, se perdeu entre tanta apreensão. Aproveitar o momento? Não, não. Uma coisa sobre meet-and-greets: sempre tive medo. Aliás, sempre tive medo de muitas coisas, muitas realidades. A minha vontade sempre foi me esconder dos amigos que "não me conhecem". Pra sempre.  Já deixei de ver gente querida que estava no meu estado. Já fui até outro estado, vi pessoas queridas e deixei de cumprimentar  Ou então, agora que existe a possibilidade real de emagrecer, emagrecer e pronto, viver a vida normal, jamais deixando alguém saber que eu fui gorda.

É como eu disse uma vez: tem tanto pra perder, que até desanima. Olhar de fora, como me senti olhando aquela foto de meio-corpo, e perceber que a mudança visível nem foi tanta assim. Ou foi e, na realidade, o monstro do passado era um monstro ainda mais gordo. Sei lá.

Não estou desistindo, não. Inclusive, estou ótima e feliz por já ter perdido tanto! São só perspectivas... coisas da vida.

E, pra finalizar, acabo de descobrir que a tal da anorexia invertida existe sim! Se chama "gordurexia". (...) Não estou acreditando. Isso me rende outro texto.

quinta-feira, agosto 14, 2014

Caminho de volta

"Sim, eu estou perdida.

Se você contar, não são muitos dias. De repente, são. Não tenho muito como saber. Os pensamentos estão somente em comer. A verdade é que não sei há quanto tempo estou assim.

Eu suspeitei quando escrevi que não estava perdida. O primeiro sinal de fraqueza, de recaída, é negar o problema, mentir para si mesmo. 

Não tenho conseguido me controlar. De repente, parece que tudo que escrevi até agora é besteira. Não interessam os sabores mudados, não interessam os bons resultados, não interessam os quilos deixados pra trás. Fica estranhamente fácil e tranquilo desacreditar que foi verdade um dia. O lugar foi dado à derrota conformada, confortável.

Dia desses experimentei roupas que, antes, não cabiam. Me serviram uma calça antiga e um shortinho que ganhei de presente. A calça ainda carregava o nylon da etiqueta mal arrancada. Não sei se cheguei a usar. Foram poucos meses atrás, quando ganhei o shortinho. Tive que deitar na cama, empurrar as banhas pra dentro e quase explodir o botão pra caber no mimo. E agora dava, subia fácil. Só um pneuzinho contido, muito tranquilo, que, em alguns dias, eliminaria.

Acontece que, poucos dias depois disso, eu engordei. A balança disse e as roupas também. Gramas a mais me fizeram ficar apertada e deformada nas roupas que agora cabiam. 

Veja, engordar é fácil. Se perder, perder o foco e a força de vontade, também.

Ainda não consegui voltar ao meu normal pós quinze dias focados. Não me recuperei. Estou toda desorganizada. Estou tentando. Vou bem até certa parte do dia, todo dia. Até que chega uma hora e leva minha garra toda embora. No dia seguinte, mesma coisa. Está difícil. Desde que comecei a emagrecer, nunca engordei de novo. Pelo menos, não que soubesse. Aliás, essa é outra coisa. Não está me fazendo bem me pesar semanalmente. Vou voltar pro esquema mensal.

(...) 

O engraçado é que eu fico procurando uma corda-resgate pra me segurar e, com isso, só penso nos desafios dos dias sem açúcar, detox, etc etc. Mas, ao mesmo tempo, não quero arriscar. Foi depois do 15 dias sem jacar que me perdi. 

Hoje já me imaginei gorda de novo  Não que eu esteja magra, veja bem."

E eu não terminei de escrever. Abandonei o texto também. Faz três dias que estou com esse bloco de notas aberto.

Enfim, as coisas melhoraram. Pode soar exagerado engordar em dois dias; estar perdida e, três dias depois, estar melhor. Mas não é. O tempo, aqui, está além disso. Dias não significam meros dias pra quem está em constante batalha.

Estou mais calma, mais focada. Pesagem agora, provavelmente, só no fim do mês. Estou indo devagar, não estou me cobrando muito, estou realizando pequenos acertos, estou tentando até não pensar muito, me distraindo, e, assim, fico mais calma. Estou achando o caminho de volta.

Devo agradecer também a minha soulmate, que me deu umas chacoalhadas.

segunda-feira, junho 30, 2014

É difíiiiicil...

Gordo não tem escolha. Gordo não tem escolha pra roupa, gordo não tem direito a rejeitar namorado, gordo não tem escolha pra nada. Escolha? Não, gordo não tem nem direitos básicos de sobrevivência: gordo não pode ser visto comendo que já é motivo pra ser zoado: "Ih, alá o gordo comendo, kakaka. Depois não sabe porque é gordo".

Mas, o que mais tem me incomodado: gordo não tem direito de escolha de ser saudável.

Eu explico.

De uns meses pra cá, comecei a entender sobre escolhas saudáveis pra alimentos. Entendi que farinha branca não é legal, comecei a ler rótulos de alimentos, faço escolhas mais naturais possíveis, tô mantendo a distância que dá dos industrializados  e congelados já não são meus melhores amigos há seis meses.

Passei a escolher o que quero comer. Bato o pé que não quero corante, acidulante, espessante, aromatizante e, muito menos, conservante entrando nesse corpitcho! Iogurte grego com calda, regado a corante caramelo IV, potencial cancerígeno? Passo! Suquinho light de caixinha, com "suco" de fruta congelado/descongelado, tudo misturado, pra gerar um sabor artificial único? Hoje não! Chá gelado maravilhoso cheio de adoçante e conservante? Pra mim não! Falando em adoçante, NADA de adoçante! Adoçante artificial pra me trazer inúmeros males? Adoçante natural pra ter gosto AMARGO? Tô é fora! Passa pra cá o açúcar mascavo! E o demerara, também. Além desses, gosto de usar o mel pra adoçar. Lindo, natural, saudável, magro!

Magro? Não, não. É aí que entra a minha frustração.

Gordo não tem direito nem de comer saudável! Porque saudável, nem sempre, é magro. E gordo tem que...? Isso mesmo, emagrecer! Não dá pra emagrecer adoçando nada com mel, que tem mais de 60 calorias por colher de sopa. Não dá pra escolher iogurte integral, quando o desnatado é mais magro. Não dá pra escolher manteiga, creme de leite e sal, ao invés da margarina, conservante e mais conservantes. Gordo não tem direito de tomar um delicioso smoothie de frutas, porque só cada banana tem 100 calorias. Não dá pra escolher uma tapioquinha, toda saudável, quando a colher de sopa de goma ou de polvilho, tem mais de 70 calorias - e você usa bem mais que isso, enquanto uma fatia de um pão "integral" do mercado carrega 50 calorias. Tudo conta. Inclusive, EU conto, né? Eu tenho que contar: calorias.

Nada mais frustrante que ter que abandonar toda uma escolha aprendida, pra voltar com o rabinho entre as pernas, apelando pras calorias. Sim, voltar. Voltar porque lá no primeiro mês, onde eu contava calorias, emagreci mais que nos últimos meses. E muito disso tem a ver comigo e o "desleixo" quanto as comidinhas lindas e saudáveis. "Se é saudável, pode!"  Não é bem assim. Se é magro, pode. Por enquanto, é isso que pode.

Eu sei que posso comer só verduras, frutas, vegetais e castanhas, moderadamente, e comer saudável e, ao mesmo tempo, magro. Só tô frustrada.

E a gente sabe que a realidade não é assim, só comer verduras e legumes. Sempre tem os requeijões industrializados, os pães industrializados, os embutidos e defumados light industrializados e todos os outros inúmeros parte-da-dieta industrializados. Só não queria me encher de porcariada de novo.

Vou me apegar a lá na frente, quando tiver com meus 90kgs. A partir de lá, vou ser saudável, não light.

E mês que vem, quero -4kgs.
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