(Porque as duas expressões são ridículas.)
Faz um mês hoje, comecei uma atividade física legítima, real, regular, onde pessoas além de mim sabem que aquilo com certeza é um exercício.
Um tempo atrás, em mais uma escrita na qual eu reclamava da vida e de depender de fatores incontroláveis pra começar a academia, a Companheira Cristina me deixou uma dica: lá, no bairro dela, tinha uma atividade física que não costumava pedir atestado médico. Você, que não é a Cristina, pode adivinhar qual atividade essa é? Dou uma dica: quando pensa-se nela, a primeira coisa que vem à cabeça é um bando de velhinhas de maiô, toquinha e macarrão de piscina pro alto.
...Se você pensou em hidroginástica, acertou!
Assim que li a dica da Companheira, abracei aquela ideia. De repente, aqui também não precisaria de atestado! De repente, eu logo poderia fazer! Yay!
Passei uma semana com os pensamentos variando entre envergonhados, empolgados e sabotadores. Tinha a questão de eu vestir um maiô (vestir? Achar um pra comprar, primeiro!), a questão da turma só de velhas; nada contra as velhas (exceto aquelas que são tipo a minha mãe. — E contra os velhos, aqueles que são tipo o meu avô), mas você pode imaginar o tanto de coisa que passa na cabeça de uma jovem gorda de 24 anos ao se submeter à uma atividade "destinada" a terceira idade, quando queria estar passando tempo com gente jovem? Não pode fazer muito bem pra auto-estima sabotadora. Fora isso, tinha o fato que a danada da aula me custaria oitenta e cinco reais por mês! Oitenta e cinco.
Li muito sobre a atividade, me convenci, aceitei que era o que tinha pra mim naquele momento e fui até a academia pra saber mais. Lá, acabei conseguindo um precinho promoção! — Não porque pechinchei. Acredite, não tenho O MENOR talento pra isso. A promoção envolvia me comprometer com seis, eu disse s e i s, meses de aula. Que agonia! Seis meses fazendo isso? A t é s e t e m b r o fazendo isso?
Dias depois, eu estava resolvida. Naquele mesmo dia compraria um maiô, naquele mesmo dia começaria minhas aulas. Assim, tudo duma vez.
Depois de muito andar, fui encontrar maiô numa única loja. E minhas opções eram poucas: tinha um azul, bonito, mais pro ciano, com decote nas costas e corte bonito; tinha um preto liso e básico e tinha um outro azul, marinho-de-natação, que, ainda que G, a moça queria me empurrar. Não, obrigada, vou experimentar só mesmo esses dois GG aqui e torcer pra conseguir entrar :D Experimentei primeiro o azul, bonito. Tinha um bojo que era pequeno demais pros meus peitos e o decote das costas exibiria o sutiã que, naquele caso, eu teria que usar. Foi difícil (muito mesmo), mas consegui vestir o pretinho básico. A vontade foi de nem tirar, porque tinha medo de não conseguir vestir de novo, de tão apertada que tava ali dentro. Tava ótimo! Consegui um maiô e era isso que queria. Todo gordo tá cansado de saber que é a roupa quem nos escolhe, não o contrário. Eu estava satisfeita. Comprei esse, que levava o sutil nome de "maiô senhora".
Corri pra academia.
A sensação da espera foi ótima. Eu tinha uma academia! Aquele pensamento me abraçou e me senti extremamente
Na aula, fiz todos os exercícios empolgadíssima. O horário estava cheio. Além de velhas, velhos e também umas três pessoas mais jovens. Adorei ver pessoas mais jovens! No dia seguinte, e mais ainda no final daquela semana, só sentia minhas pernas e, principalmente, panturrilhas. Ai!
Eu achava que hidroginástica não era pesada. Que não resultava em lá grandes coisas. Bobagem.
Semana passada, senti minha bunda meio dura. E ousaria dizer, até mais arredondada. — O que estava acontecendo? Essa semana, inspirada pelo amigo Atilio e sua Cãopanheira, fui caminhar com a minha amiguinha. No meio do passeio, arrisquei várias corridinhas. Com ela, é ótimo, porque toda a vergonha some. Corria olhando pra ela, incentivando, e, pra quem tava de fora (muito me importa), eu estava só correndo com a cachorrinha. Foi ótimo! Quis fazer sempre, mas a tadinha voltou cheia de carrapatos. A questão é: cheguei em casa, olhei no espelho e me vi vermelha! Bem vermelha. A gordinha da 6ª série na educação física. Só que, agora, me sentia feliz, ao invés de envergonhada. Que prazer nas bochechas vermelhas! E ali, contemplando a rubidez, me caiu a ficha: eu tinha corrido, mais que qualquer dia anteriormente, e... não estava cansada! Não podia acreditar naquilo. Que felicidade! Era sério aquilo? No dia seguinte, voltei pra rua, pra tirar a teima. Não é que eu conseguia mesmo? Fiquei extremamente impressionada com esse novo condicionamento físico que a hidro havia me dado. Não é necessário dizer — mas vou, porque sou assim — que, obviamente, não estou cem por cento ainda. Não é milagre, é melhoramento. E eu tô tão feliz com esse melhoramento, que vocês nem sabem! Ah! Meus músculos da perna também estão levemente durinhos, já sinto. Talvez esteja louca! Eu sei lá se um mês de exercício na água traz resultado! Talvez esteja louca. Mas não estou não :D
Não sei o que vai ser depois dos seis meses. Mas, até lá, vou pras minhas aulas de muito bom grado! É ótimo. Coloco força, dou o meu melhor. Cansa bastante. Deixa os músculos durinhos. Me ajuda a correr. Só vantagem. :D
Fico contando as horas, literalmente, pra entrar naquela piscina.
