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sábado, abril 25, 2015

Nem baleia, nem sereia!

(Porque as duas expressões são ridículas.)

Faz um mês hoje, comecei uma atividade física legítima, real, regular, onde pessoas além de mim sabem que aquilo com certeza é um exercício.

Um tempo atrás, em mais uma escrita na qual eu reclamava da vida e de depender de fatores incontroláveis pra começar a academia, a Companheira Cristina me deixou uma dica: lá, no bairro dela, tinha uma atividade física que não costumava pedir atestado médico. Você, que não é a Cristina, pode adivinhar qual atividade essa é? Dou uma dica: quando pensa-se nela, a primeira coisa que vem à cabeça é um bando de velhinhas de maiô, toquinha e macarrão de piscina pro alto.

...Se você pensou em hidroginástica, acertou!

Assim que li a dica da Companheira, abracei aquela ideia. De repente, aqui também não precisaria de atestado! De repente, eu logo poderia fazer! Yay!

Passei uma semana com os pensamentos variando entre envergonhados, empolgados e sabotadores. Tinha a questão de eu vestir um maiô (vestir? Achar um pra comprar, primeiro!), a questão da turma só de velhas; nada contra as velhas (exceto aquelas que são tipo a minha mãe. — E contra os velhos, aqueles que são tipo o meu avô), mas você pode imaginar o tanto de coisa que passa na cabeça de uma jovem gorda de 24 anos ao se submeter à uma atividade "destinada" a terceira idade, quando queria estar passando tempo com gente jovem? Não pode fazer muito bem pra auto-estima sabotadora. Fora isso, tinha o fato que a danada da aula me custaria oitenta e cinco reais por mês! Oitenta e cinco.

Li muito sobre a atividade, me convenci, aceitei que era o que tinha pra mim naquele momento e fui até a academia pra saber mais. Lá, acabei conseguindo um precinho promoção! — Não porque pechinchei. Acredite, não tenho O MENOR talento pra isso. A promoção envolvia me comprometer com seis, eu disse s e i s, meses de aula. Que agonia! Seis meses fazendo isso? A t é s e t e m b r o fazendo isso?

Dias depois, eu estava resolvida. Naquele mesmo dia compraria um maiô, naquele mesmo dia começaria minhas aulas. Assim, tudo duma vez.

Depois de muito andar, fui encontrar maiô numa única loja. E minhas opções eram poucas: tinha um azul, bonito, mais pro ciano, com decote nas costas e corte bonito; tinha um preto liso e básico e tinha um outro azul, marinho-de-natação, que, ainda que G, a moça queria me empurrar. Não, obrigada, vou experimentar só mesmo esses dois GG aqui e torcer pra conseguir entrar :D Experimentei primeiro o azul, bonito. Tinha um bojo que era pequeno demais pros meus peitos e o decote das costas exibiria o sutiã que, naquele caso, eu teria que usar. Foi difícil (muito mesmo), mas consegui vestir o pretinho básico. A vontade foi de nem tirar, porque tinha medo de não conseguir vestir de novo, de tão apertada que tava ali dentro. Tava ótimo! Consegui um maiô e era isso que queria. Todo gordo tá cansado de saber que é a roupa quem nos escolhe, não o contrário. Eu estava satisfeita. Comprei esse, que levava o sutil nome de "maiô senhora".

Corri pra academia.

A sensação da espera foi ótima. Eu tinha uma academia! Aquele pensamento me abraçou e me senti extremamente fit bem.

Na aula, fiz todos os exercícios empolgadíssima. O horário estava cheio. Além de velhas, velhos e também umas três pessoas mais jovens. Adorei ver pessoas mais jovens! No dia seguinte, e mais ainda no final daquela semana, só sentia minhas pernas e, principalmente, panturrilhas. Ai!

Eu achava que hidroginástica não era pesada. Que não resultava em lá grandes coisas. Bobagem.

Semana passada, senti minha bunda meio dura. E ousaria dizer, até mais arredondada. — O que estava acontecendo? Essa semana, inspirada pelo amigo Atilio e sua Cãopanheira, fui caminhar com a minha amiguinha. No meio do passeio, arrisquei várias corridinhas. Com ela, é ótimo, porque toda a vergonha some. Corria olhando pra ela, incentivando, e, pra quem tava de fora (muito me importa), eu estava só correndo com a cachorrinha. Foi ótimo! Quis fazer sempre, mas a tadinha voltou cheia de carrapatos. A questão é: cheguei em casa, olhei no espelho e me vi vermelha! Bem vermelha. A gordinha da 6ª série na educação física. Só que, agora, me sentia feliz, ao invés de envergonhada. Que prazer nas bochechas vermelhas! E ali, contemplando a rubidez, me caiu a ficha: eu tinha corrido, mais que qualquer dia anteriormente, e... não estava cansada! Não podia acreditar naquilo. Que felicidade! Era sério aquilo? No dia seguinte, voltei pra rua, pra tirar a teima. Não é que eu conseguia mesmo? Fiquei extremamente impressionada com esse novo condicionamento físico que a hidro havia me dado. Não é necessário dizer — mas vou, porque sou assim — que, obviamente, não estou cem por cento ainda. Não é milagre, é melhoramento. E eu tô tão feliz com esse melhoramento, que vocês nem sabem! Ah! Meus músculos da perna também estão levemente durinhos, já sinto. Talvez esteja louca! Eu sei lá se um mês de exercício na água traz resultado! Talvez esteja louca. Mas não estou não :D

Não sei o que vai ser depois dos seis meses. Mas, até lá, vou pras minhas aulas de muito bom grado! É ótimo. Coloco força, dou o meu melhor. Cansa bastante. Deixa os músculos durinhos. Me ajuda a correr. Só vantagem. :D

Fico contando as horas, literalmente, pra entrar naquela piscina.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

6,5/kph e contando.

Acabo de voltar do meu, ahem, treino. Não gosto da palavra treino. Tenho mesmo problemas com nomenclaturas populares. Treino? Tá treinando pra que? Alguma competição? Não entra na minha cabeça — e olha que ela é bem aberta. Enfim. Tô voltando do meu exercício diário. Ousei chamar de, ahem, treino, porque me encontro toda metidinha por estar dando umas corridinhas. Seria aquilo que chamam de trote (não, não tenho problema com essa nomenclatura), só não é exatamente porque, bem, a gorda aqui não consegue correr né — e nem sabe se pode.

Lembrei do amigo Atilio quando cheguei em casa; ele sempre entusiasmado — orgulhoso! — de estar evoluindo na resistência física. Também estou. Uns meses atrás, quando eu ainda caminhava frequentemente — sou relaxadíssima com o compromisso, já havia tentando trotar. Essa é a hora do riso: eu "corria" cerca de... 5 segundos — HAHAHAHA — Tô rindo, de novo, porque tô metidinha, mas não é como se meu desempenho atual fosse assim, tão melhor. Devo estar correndo uns... 20, às vezes até 30, segundos seguidos. Correr cansa, tá? São 121kgs admitidos se chacoalhando em cima de um par de tênis não tão apropriados. Fora a peitaria. Tenho optado por segurar o celular na cintura, no entanto. Peitos pra esquerda, peitos pra direita :D — E eles também pesam.

No total, de 40 minutos caminhando, posso contar, generosamente, que foram 10 minutos de corrida. Uôoou! Fiz isso ontem e hoje, tá gostoso. Mas no carnaval, com visita querida, muito provavelmente vou só ficar em casa, comendo salgadinhos e vendo os desfiles pela tevê. E tá tudo bem. — Tenho uma VIDA pela frente, as escolhas vão sendo feitas, não tem prazo final, não tem pressão. Tem é saúde em questão, vaidade e tudo mais — de bom — que me importa. Uma coisa que eu sempre (sempre, sempre) lembro é uma frase que uma responsável da Herbalife muito querida me falou uma vez: "Você engordou durante todos esses anos. Não vai emagrecer da noite pro dia." — As palavras eram mais bonitas e profundas que essas, mas, justo nesse momento, não consigo me lembrar. Época de tomar Herbalife foi o outro um momento da vida em que emagreci. Mas nem de longe o que emagreci hoje e não durou muito. Um ano depois, encontrei a querida da moça e ela estava obesa de novo. Foi triste. E, de repente, o chão tinha se aberto debaixo de mim. A Herbalife entrou na minha vida num momento que eu estava muito vulnerável e foi meu primeiro contato com qualquer tipo de chá. A experiência foi horrível; depois acostumei. Eu tinha uns 17 anos. Gorda, no primeiro ano da faculdade. Foi a época que eu considero ter ficado deprimida. Não acho certo com a doença — seríssima — ficar por aí se auto-diagnosticando, mas, se não era depressão, era algo por ali. Passou. A Herbalife também.

Essa semana tem médico e estou empolgadíssima pra ele me encaminhar pra outro e mais outro médico, pra eu, finalmente, começar na academia :D A vergonha deve rolar. Não tô pensando sobre isso, mas deve. Assim como rola vergoinha de correr, assim como rolava vergoinha de caminhar, assim como rolava vergoinha da fantasia de academia. Mas supera-se. Estou ansiosa!

Descobri uma pista, movimentada até, parece que é onde todas as pessoas do meu bairro se exercitam. Esbarro com gente caminhando e correndo a todo minuto. Gordos ou marombas, no geral. Apesar de soar como, não digo isso num sentido pejorativo. Pra nenhuma das partes. (Até porque, gordo é só um adjetivo — sou a favor de fazer as pazes com as palavras que tanto já nos machucaram quando ditas por pessoas com intenções ruins.) Dentre os marombas, tem um casal: corpos belíssimos segundo o padrão da sociedade. Esbarro sempre com eles, correndo sem suar, me deixando láaa pra trás. Pelo caminho que passo, tem duas ou três academias. Tem uma, especificamente, que sempre fico olhando. Vi uma magrinha na esteira que caminhava no mesmo passo médio que eu — Opa, estou arrasando! Vejo sempre umas pessoas em aulas bem bacanas, uma animação só. Quero isso pra mim.

No momento, minhas bochechas já voltaram a cor normal. Mas tô andando meio... como um pato.

terça-feira, julho 08, 2014

Um mês de caminhada!

Sim, eu consegui! :D

Um mês atrás vi a Flávia Calina começando um projeto de criação de hábitos. Ela ia tentar um mês lavando louça antes de dormir e caminhando 30 minutos por dia. Eu me inspirei e resolvi ir junto.

Cabou que a própria Flá não terminou o desafio do exercício. Mas cabou, também, que no meio disso, eu criei esse blog e, já no primeiro dia, inspirei a amiga Ana Preguiça a começar a caminhar láaa em Portugual. Quase não acreditei! Muito bom! Adoro esse ciclo de inspiração. A gente se ajuda, muitas vezes, sem nem saber.

Um mês caminhando, 30 minutos todos os dias. Lutei com o probleminha da fantasia, passou. Lutei com a preguiça alguns dias, também passou. Recebi visita no meio do período, arrastei a visita pra caminhada. No final do desafio, fiquei doente. Desses dias debilitada, um fui pra rua e voltei pálida; um caminhei em casa; outro, fiz exercício em casa ao invés de caminhar — Caminhar em casa deixa tonta, rapaz! — e o último, ontem, eu fui pra rua de novo! Retomando o ritmo.

Nesse um mês, já notei minha postura melhor. Incrível! Ando reta agora. Mais disposta. Barriga pra dentro, peito estufado! Como tem que ser.

Feliz que consegui. Pro próximo mês, quem sabe até algo mais?

E você, vai começar o que hoje?

sexta-feira, junho 27, 2014

Caminhada, expectativas e sociedade

Estou caminhando há 14 dias consecutivos. Dois meses antes disso, quando dava na telha: raramente.

Todos os dias, visto minha calça frouxa, meu tênis não-de-caminhar, uma blusa qualquer e lá vou eu. Programo o aplicativo no celular pra contar quanto tempo tô caminhando, quantos quilômetros estão sendo percorridos e, teoricamente, quantas calorias estão sendo gastas. Tudo bem, tudo beleza. Quem me vê, não sabe que eu tô caminhando. Sou só uma gorda indo de um lugar a outro, como eu queria que fosse.

Desde que me incentivei a caminhar, desde o primeiro dia, tinha na cabeça: "Ok, eu vou. Mas eu vou disfarçada!" -- Porque ninguém merece a reação da sociedade para com os gordos. Porque EU não mereço, porque VOCÊ não merece! Olha, eu sou gorda desde sempre e eu posso passar longos tempos escrevendo sobre expectativas da sociedade, preconceitos da sociedade, zombarias da sociedade. Mas isso fica pra outro dia.

O que me trouxe a escrever foi a caminhada.

Desde que eu comecei a emagrecer, já são 15kgs perdidos! E poucos, muito poucos, notaram que emagreci. No máximo, "tô te achando mais magra". Porque eu sou gorda demais. E alta. E a gordura tá bem distribuída. Então vai ficar difícil de notar assim, gradualmente. Só quando eu tiver perdido metade de mim, notarão. Mas não importa. De verdade, eu gosto assim. Eu gosto de passar desapercebida. Apesar ser gostoso ouvir que se está mais magra, não faço questão de nenhum semi-conhecido me dizendo "oooolha, como você emagreceu!" — Não, obrigada, dispenso.

Meu problema começa quando: comprei uma legging e um tênis de caminhada, para a caminhada. É agora que fode tudo. É agora que: ou eu continuo, ou eu paro.

Sair pra caminhar, fantasiada nesses trajes, implica em uma série de coisas. Implica na vergonha de sair assim. E implica, principalmente, na expectativa das pessoas. Porque, claro, as pessoas se acham no direito de ter expectativas sobre os outros. Sair pra caminhar, fantasiada, implica em pessoas acompanhando sua vida, julgando o ritmo que você tá caminhando, verificando se você está caminhando todos os dias, cobrando que você perca peso - a pior de todas as implicações! Fora os pensamentos que você sabe que passam na cabeça de uns e outros: "Ih, alá a gorda caminhando!", "Poxa, tá vendo? Ela tá tentando!", "Que bacana, a gorda tá correndo atrás, tá querendo emagrecer!". Urgh. Cadê um lugar bem longe de tudo pra eu ir morar?

E tudo isso, veja bem, porque eu resolvi me vestir adequadamente para caminhar durante 30 minutinhos, todos os dias. Imagina se é a gorda na academia. Olha o bullying!

Tá, de fato nada aconteceu e eu sequer saí com a roupa nova. Mas são muitos anos e muita bagagem gorda nas costas. Eu sei de como as pessoas se comportam com gordos. Elas não sabem que as palavras desnecessárias que elas cospem em você, podem te acompanhar pro resto da tua vida. Mas... é só a sociedade sendo a sociedade, não é verdade? Só tratando mal aquilo que lhe é diferente.

Bom, eu tenho que ir. Apesar dos medos e da vergonha, tô bem animada pra estrear o tênis-de-caminhar!
E hoje pretendo até ir mais longe.

Vamo que vamo.

Eu quero emagrecer pra mim. Não pra ganhar um tapinha nas costas, não pra alegrar ninguém.
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