sábado, abril 18, 2015

Estou trazendo as coisas boas de volta pra mim

Tem um tempo, eu venho querendo separar a sexta-feira  e só a sexta-feira  pra poder comer aquela comidinha mais gostosa, mais culposa. Sexta, porque é quando eu geralmente saio com algum amigo pra comer (sim, o programa da gorda é comer!); sexta, porque final de semana é muito longo  geralmente começa na sexta e só termina na segunda, com sorte: muito tempo de orgia alimentar. Então eu percebi que essa seria uma boa pra mim, que gostaria de fazer assim e que até simpatizava com a ideia: sexta, o dia da escapadinha com perdão.

O engraçado, apesar de não me causar riso, é que eu vinha comendo o que quisesse, quando quisesse. Difícil aceitar isso. A cabeça, louca pra comer, vai produzindo e aceitando as próprias fantasias. A verdade é que eu estou comendo, sim, mais do que já comi um dia. Estou comendo, sim, muito mais besteiras e calorias vazias que já comi um dia.

Essa é a primeira sexta da escapadinha com perdão; essa também é a semana que, finalmente, recomecei a minha jornada. Deletei a minha insegurança da última sentença e, apesar do medo de fracassar, vou aqui afirmar mais uma vez: SIM, eu recomecei, eu estou seríssima sobre isso!

Adotei um mantra, que está dando certo. Digo que está, porque deu ontem e deu hoje e, oras, isso é muita coisa e pretendo estender a ser mais ainda!

Ontem e hoje estava na rua, todo o dia. O tanto de coisa gostosa que passou por mim... o tanto de não que me dei... (...) A coisa era simples, aquela atitude que muitos conhecemos, de só dizer não, sem nem pensar. Não, pronto acabou. Não. Não! Não. Com os nãos e meu mantra, ia conseguindo clareza e rapidamente desviando os pensamentos que se formavam em torno de cada gostosura. E vou te dizer, quantas gostosuras! Eu não sei se conseguiria enumerar o tanto de comida que me neguei. A cada cinco metros, uma delícia. Sem brincadeira, foi muito não. Hoje, já no ponto do ônibus pra voltar pra casa, uma última tentação: a menina carregava um açaí que, olha... parecia um brigadeiro, de tão cremosa a textura! Depois de muito olhar, identifiquei a loja de onde vinha  era daqueles de máquina, tipo sorvete de casquinha. Só que, ao invés de parecer nojento ou artificial, era uma coisa louca. Que cor! Que textura! Agora, sabendo de onde vinha, colei os lábios pra controlar meu impulso de atravessar as duas pistas, comprar uma maravilha daquelas pra ser minha e voltar pra espera do meu ônibus  que já era longa, pra ajudar. Repeti meu mantra na cabeça várias vezes, mas aquele açaí cremoso era muito forte. Lancei mão de outra arma: olhei a menina e me perguntei "Quero ser assim?". A resposta era clara. Então, de novo, era não. Não quero ser assim e não vou atravessar e comer esse açaí. Mais 15 minutos de espera e fui vencendo a vontade. Taí outra coisa que vou fazer antes de querer me render ao que outros andam comendo.

Tenho buscado me alimentar de forma mais simples e também mais "de dieta". Sopinhas, pratão de legumes sortidos com frango, frutas no lugar de doces. Eu sinto falta do meu paladar, já mais refinado, que se perdeu quando me joguei nos industrializados diets. E, por falar em frutas, hoje incluí duas novas ao meu cardápio: fruta-do-conde e uva! Ah, como fico feliz em abraçar novos sabores! Significa tanto pra mim começar a gostar de uma nova fruta, um novo legume! Aliás, hoje também provei quiabo que, apesar de baboso e da aparência peluda repelente, é gostoso. A fruta-do-conde foi um encantamento. Parece um doce, de tão docinha (redundante, mas vocês entenderam). Comi vagarosamente, como com todas as novas coisas que aprendo a comer, e foi uma ótima experiência e sobremesa pós almoço. Apreciei cada descoberta da pinha: o cheiro, as sementes, a textura, o sabor, aquela parte arenosa, o miolo detalhado, a casca. As uvas, também, docinhas. Já tinha provado uva antes, mas não tinha gostado. Talvez não estivessem tão boas, talvez eu não estivesse com tanta boa vontade. Mas, agora? O que me sobra é boa vontade, de novo. "Não há nada que eu não goste" é meu lema. Quero ser aquela que gosta de todos os sabores da natureza. O que me lembra que preciso trabalhar na questão da melancia. E do melão. E das coisas amargas, em geral. Ontem, provei abacate in natura, sem fazer aquela delícia daquele creme com pouquinho de leite e açúcar. Comi umas colheradas, mas me rendi ao que realmente queria: a deliciosidade do creme. O que importa é que eu me amo muito quando me jogo a provar as coisas assim. Parece um impulso que dou com os dois pés e saio por aí voando de olhos fechados e com expressão de satisfação, tipo em desenho animado, com aquele rastro colorido pra trás.

E pro meu bem estar, andei fazendo um cleanse; um detox. Não, não de comidas. De informação. Basicamente, eu sei o que fazer pra emagrecer, sei que a receita é alimentação e atividade física. Sei dos benefícios de cada um dos alimentos, sei o que comer no pré e pós treino, mesmo sem treinar. Sei do índice glicêmico dos alimentos. Sei que fruta você "deve" comer com uma fonte de proteína. Eu sei demais! Segui meu próprio conselho e saí um pouco do instagram; não assim que escrevi que sairia. Mas depois, quando vi, já tinha um bom tempo que não entrava. Me senti meio alcoólatra pensando se me faria bem logar de novo ou não. Loguei, olhei as mentions e saí. Meu detox foi esse: me afastar um pouco. Do instagram, do blog, das informações, das dicas, da pressão, das receitas de sucesso, da vida dos outros, das realidades que não eram a minha. Precisei parar um pouco, olhar pra dentro. Eu, minha luta. Meus resultados. Minha melhora, minha qualidade de vida, minha realidade, meus limites, meus erros, minhas fotos de antes e depois: eu. Precisei me desligar de tudo e viver somente eu. E, antes disso, precisei, até, não pensar em nada. Nem nos meus erros, nem nos meus acertos. Eu estava pensando demais, sabendo demais, overthinking demais, estressada demais. E ainda assim errando tudo. Simplesmente parei. Não pensava em dieta, em emagrecer, exercícios... nada. Tentei levar a vida relaxadamente, acalmando, suavizando, até que consegui chegar aqui, onde estou. E agora estou levemente, ou normalmente, pensando nessas coisas de novo. Sem pressão, sem pressa. Devagar. Tentando voltar às origens. Tentando acalmar. Tentando. Eu sei o que fazer, vamos aos poucos, passinhos de bebê. Só depois do cleanse, pude botar a cabeça no lugar. E ainda não estou inteira, ainda não confio em mim pra me colocar disposta à pressão de roda de informações de novo. Devagar.

E o meu mantra, que entoo com a cabeça bem erguida e desprezo encenado, todas as vezes que passo por qualquer coisa deliciosa, maravilhosa e gorda, é simples: "Inegociavelmente de dieta.".

18 comentários:

  1. Eu até acho que fazes bem :) para quem está dieta é muito mais difícil enfrentar um regime prolongado a 100% do que com umas «saídas» pelo meio, e se essas saídas forem controladas (porque acho que a tendência é mais para planear como se fosse tudo perfeito, sem deslizes para não atrasar o processo, o que acaba por descambar em deslizes não planeados (mais do que os que haveria de outra forma e com mais frustração envolvida)). Portanto fazes bem! Os benefícios «físicos» de «cheat meal» e tal são discutíveis, mas eu acho que psicologicamente é muito melhor. Eu não faço nada de planeado, mas ao Sábado cozinho umas coisas menos saudáveis e gosto de o fazer :)
    Sem definir um esquema parece mais complicado, se a ideia de emagrecer é vaga e não tiveres o objectivo bem presente acabas por andar à deriva... É preciso combater os instintos com alguma racionalidade, acaba por ser difícil neglignciar os «prazeres instantâneos» sem a noção dos superiores... Senão acaba-se por andar um bocado à deriva, sem razão para adiar o «bem-estar».
    Não te enganes, não é «espírito gordo» nem nada, a a convivência na sociedade gira de facto à volta da comida. Há quem critique, eu acho que é natural e acaba por ser uma desculpa, uma maneira de juntar as pessoas para algo de concreto - pelo menos algo de mais concreto do que «o João faz anos, vamos reunir-nos todos à volta do chafariz?» :P
    ...Resumindo, acho que é uma boa ideia ;) já estou a gostar muito mais do cariz positivo deste post :D
    Ainda bem que sim :D soa a óptimo começo, ansiava por este arranque!
    Sempre que alguém diz mantra penso em «Hacuna Matata», desculpa :P
    Nunca provei açaí, parece bom :) aí vende-se assim? Só vi à venda congelado :P para bater com banana, acho. Ao que iinteressa: parabéns por isso :D estás determinada, agora ;)
    Eu não vivo num sítio muito populado, por isso nunca ninguém anda a cirandar de comida na mão :P haha
    (Só se for um miúdo com um gelado, mas é raro. Só há supermercado, talho e pastelaria :P)
    (Claro que às vezes vou ao centro da cidade e há mais coisas, mas mesmo assim não costuma haver ninguém a passear com comida - e mesmo a que há à venda não está muito exposta. Ou então eu não reparo, também não passeio muito :P)
    Abacate natural é um bocado estranho ao início, mas é muito bom! Embora a minha maneira de eleição seja com atum :P foi só assim que eu experimentei, se estás habituada ao açúcar deve ser mais difícil mudar...
    O teu paladar vai perfeitamente a tempo de mudar :D muda com tanta facilidade :P
    Fruta-do-conde - fui pesquisar e é a nossa «anona». Fruta-do-conde é muito mais giro ;)
    Não comias uva há assim tanto tempo? :P haha
    Eu acho que frutas são sobremesas doces e «light» naturais fantásticas. Se fosse inventado e produzido pelo Homem um produto assim, com tanta variedade, diversidade, cor e sabor, e as gomas nascessem das árvores e fossem saudáveis acho que toda a gente ia comer imensa fruta :P
    (E quem produzisse a fruta e a comercializasse ficava rico...)
    Uva é uma coisa assim tão rara aí? «Já tinha experimentado uma vez»? :P haha
    Das roxas ou das brancas? Eu gosto mais das brancas :D
    Ainda bem que andas a gostar de tudo... Motivação em alta! Muito feliz por saber ;)
    A informação a mais acaba por não ajudar. Apesar de nos dara oportunidade de informação e consciência tantos ditos contraditórios confundem... Se sabes faz, para quê complicar? :D
    Apesar de gostar de te seguir nesses meios todos compreendo perfeitamente. Acho que fazes bem em decidir por ti... E espero que ajude! Mas já tinha saudades de um post teu, se puderes vai dando notícias ;)
    Belo mantra! :D desde que resulte... ;)
    Beijinhos :D

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    1. Nãaao, não é nadísisma rara! Eu que sempre fui estranha e nunca provei frutas :P Provei da roxa, só não sei qual tipo, tem tantos... Aqui temos uva roxa e verde, branca eu não sei. Bem, acho que dá no mesmo :P E tem razão, se fossem industrializadas, todo mundo comia e dava valor.

      Também acho que a saída controlada pode dar certo. Controlada.

      Açaí é uma delícia! Bem, não sei do original mesmo, não é da minha região. Dizem que o que comemos aqui é porcaria :P Com xarope de guaraná, caldas, confeitos... :P Tem até de sabores. Uma loucura!

      Você me lembrou que preciso provar teu patê de abacate e atum :O Vou aproveitar que tenho 3 aqui (t-r-ê-s :D) e vou usar um deles pro patê!

      Poxa, que coisa boa não andar por aí vendo gente comendo. Mas aqui... aqui é uma bagunça.

      Uma das coisas chatas de abandonar um pouco o instagram, foi fazer isso logo que você chegou :( Mas ao blog, tô aqui, sem impecilhos. Mesmo esquema de sempre: deu vontade, venho escrever. Já tinha tentado escrever antes, mas não estava inspirada :P Preciso estar no mood. Acho que pela fase de limpeza, também. Não queria saber.

      Meu mantra funciona que é uma beleza, tá? ;P

      Beijoca! ♥

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    2. Onde foi parar o meu comentário? Não interessa, um grande beijinho em forma de coração, e que chegue ai muito depressa! Adorei o teu mantra!

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  2. Tava preocupada contigo guria, mesmo tu dizendo no outro post que ia dar um tempo de tudo, eu tava preocupada, verificava teu blog quase todo dia e me deparava com o senhor obeso no avião.
    To feliz que vc ta retomando o controle, eu por enquanto ainda to dando um tempo, vivendo um pouco.
    Não suma mais ok?Ok!

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    1. Você é uma querida! <3

      O melhor que se pode fazer às vezes é dar um tempo. Você chega lá, minha amiga. Um beijo! (Não vou sumir :*)

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  3. Menos é mais, apesar de muito usado, temos que saber quando é inevitável saber que precisa ser usado na prática e que bom que você achou este momento. Se é assim, assim vai ser. Sem pressão, sem preocupação.

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    1. Esse é o caminho. Se fizer pressão demais, explode! Um beijo, querido. <3

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  4. Não ! Não ! Não !
    Temos que pensar em nós, na nossa alegria ao resistir a uma caloria fazia que só irá aumentar a nossa gordura!
    E acho muito válido ter um dia pra comer algo que gosta sem culpa! Na sexta a noite comi 03 pedaços de pizza...senti culpa, mas já passou. Hoje já programei minha alimentação lindamente e estou com um copo de 500ml de água na minha frente enquanto visito os blog. Golinho por golinho, hidratando meu corpo e reforçando meu compromisso com a minha R.A.
    Vamos juntas!
    Beijooo
    Camila

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    1. Também não dá pra viver à parte, né? Até porque, se privar sempre, quando descontrolar... (ou não. depende de cada um.)

      Força pra nós :) Beijo, Camila!

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  5. Querida companheira de dieta,
    Posso me apropriar do seu manterá tb? Kkk Simples e funcional! Vou entoa - lo em minha mente sempre agora...obrigada por compartilhar suas dificuldades e vitórias conosco...Estou sempre por aqui. Um abraço. ..Márcia.

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    1. Hahaha com certeza! Uso liberado ;D

      Bom te ter por aqui. Um abraço, Márcia! ♥

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  6. Somos duas. Às vezes, repenso muito o fato de ter blog e seguidores e redes sociais... É pressão, é comparação, é muita informação... Feliz que você está no foco novamente. É assim mesmo, cada um vai criando os seus próprios meios para atingir seus objetivos. Bjs

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    1. É, essa comparação não faz bem. :(

      Vamos seguir, não é mesmo? Jamais desistir. (Nunca achei que fosse, de fato, acreditar nisso)

      Beijinho, Rachel!

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  7. Parabéns, Companheira! Você entrou num "Piagetiano" processo irreversível de mudança por assimilação e acomodação.
    Pense em um caderno com aquele araminho em espiral: Você assimila informações, vai dar um tempo "ruminando", depois assimila mais um pouco - subindo um degrau, rumina por um tempo acomodadinha...
    Um dia se olha no espelho e se vê outra - por dentro e por fora.

    Adorei o mantra NÃO!

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  8. Que delicia ler essa postagem! Espero que você recupere o seu gosto pelo natural. Eu to na mesmo... comendo tanto industrializado, mas sempre tento colocar algo da feira no meu dia a dia... compro frutas fresquinhas na frutaria. É preciso. O corpo pede, a saúde perde...
    Torcendo pra que seu mantra te leve longe de todas as tentações, e você tenha sempre a si mesma em primeiro plano!

    Abraços!

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    1. Eu também, sempre tentando colocar um natural no meio!

      Obrigada, querida ♥

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