quinta-feira, julho 17, 2014

Mal criada

Eu tenho uma longa e antiga história com excesso de peso e descontrole alimentar. Muito do que sou hoje, melhor, muito do que cresci sendo, muito de quem eu fui até resolver mudar, teve a ver com minha infância toda maluca, desregrada.

Comer nunca foi um problema. Eu comeria de tudo... Tudo o que não prestasse. E eu tinha o apoio da minha mãe, de certa forma. Na maior parte do tempo, ela estaria comendo duas cumbucas de sorvete de flocos comigo. Quando ela não estivesse afim, bem, aí ela estaria me julgando.  "Três pães?". Não, espera. A quem eu estou querendo enganar?  "Cinco pães???"

Minha mãe quase sempre teve preguiça de cozinhar e as refeições de que mais me lembro foram compostas de feijão, arroz e uma coisa frita. Podia ser hambúrguer frito (De frango, tá? Porque de frango é light!!!!  Não!), podia ser mortadela frita ou empanado frito. Ou podia não ser frito, também: podia ser salsicha ferventada. Quanta saúde!  E isso eu tô falando de prato principal.

Sem ser prato principal, de primeira refeição, eu teria  sempre  café com pão ou café com biscoito Maizena. De lanche da tarde, biscoito recheado, certeza. De repente... pra jantar... um hambúrguer. Não, o hambúrguer maior de todos os oferecidos. O trio, por favor. Ou, quem sabe, meia lasanha congelada ou meia pizza congelada? Abraço, Sadia!

Eu passei toda a minha vida amando essas coisas. Devorando esse tipo de comida. Sem regras. — Talvez um pouco delas, na frente de alguém ou sob os olhos às vezes julgadores de minha mãe.

O problema estava em muitos lugares. Talvez, principalmente, na minha mãe. Ela tentou comida saudável comigo enquanto eu era bebê. Depois cresci um pouquinho e bati o pé que não gostava ou não queria e, pronto, parou de insistir. Eu gostaria que ela tivesse insistido. Mas ela não insistiria, até porque, como já disse, ela adoraria ser aquela a comer a outra metade da pizza congelada.

Uma coisa que sempre amei comer é o tal do danado do biscoito Maizena. Como molhando eles no café. Sinta-se à vontade pra achar um nojo, todo mundo acha. Eu adoro isso. Se eu estivesse doente, minha mãe me daria essa comida (Claro, comida de doente é biscoito cheio de gordura e açúcar, não canja). Mas nisso aí eu não posso culpá-la inteiramente. Semanas atrás, quando fiquei doente, lá fui eu pra minha combinação predileta. É um tipo de conforto. Uma comida mais carinhosa que quase qualquer outra.

O problema, de tudo, é sempre o equilíbrio. A moderação. E isso eu nunca tive  Estou lutando pra aprender a ter agora. Lembro de, criança, me desafiando a ver quantos biscoitos eu conseguiria molhar no café e comer de uma vez só. Uns sete? Brincadeira de criança, nenhum adulto consciente pra notar. Problema de adulto. De eu, adulta.

O tanto de merda que eu comi em todos esses anos... Eu peço à vida pra que não me puna. E nesse caso, eu falo de doenças mais graves. A punição óbvia foi a obesidade. Chegar onde cheguei, sem controle algum de mim.

14 comentários:

  1. Menina, eu comia tanto q teve uma época que achei que tinha um estômago diferente dos outrros kkkkk Meu fraco é salgado, , então comia de tudo, minhas refeições eram essas, tem uma lojinha que vende cada salgado por 0, 50 , aqueles bem podre e gordurosos, eu comprava uns 20 de uma vez e comia durante o dia, essa rotina era diária, demorou muito pra eu tomar consciência, eu tentei fazer bariatrica mas n deu certo, a fila enorme no Sus e eu sem dinheiro pra pagar, então vi que era me salvar ou me afogar de vez, ainda tô la na fila, quem sabe um dia me chamam, mas por enquanto estou fazendo por mim, lutando...Eu tb gostaria muito que minha familia tivesse me dado umas boas sacudidas e me feito ver como estava enorme, tive que perceber sozinha...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nooossa, sei bem quais são esses salgados baratinhos! Quebram um galhão na hora de comer qualquer coisa, né? hahahaha Também adoro(ava). Ainda mais por cinquenta centavos. Que pecado!

      Triste depender do governo... Continua fazendo por você, que é o melhor que você faz.

      E ainda bem que a gente percebeu, né? :)

      Beijo, querida!

      Excluir
  2. Companheira, te citei no meu blog. E se me permitir, lerei seu textos a meus pais (de alunos) na reunião da semana que vem. Posso?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Claro, companheira! Uma honra! Como te disse, me sinto feliz de poder ajudar alguém com minha experiência, de alguma forma.

      Um beijo!

      Excluir
  3. É incrível, mas bem isso mesmo... E eu adoro(ava) biscoito maizena molhado no café (e eu não tomo café rsrsr) e feito tipo sopinha com leite kkkkk. Minha mãe mal me via, que dirá saber o que eu comia rsrsrs. E ela também era obesa, então, provavelmente estávamos no mesmo caminho. Agora, tento ensinar meus filhos, pra não terem os mesmos problemas que eu tive, (apelidos, brincadeiras de péssimo gosto, uma maldade sem tamanho), mas já vejo na minha mais nova (dois anos) traços de que terei trabalho rsrssr. Estou tentando fazer a minha parte, me reeducando e tentando educá-los. E vamos à luta... Bjokas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahaha, engraçado que ainda hoje eu usei "adoro(ava)" comentando de alguma coisa. É difíiiicil essa vida, né? Temos que ficar atentas o tempo todo!

      E era assim mesmo que eu comia os biscoitos! Às vezes só molhando mesmo, às vezes sopinha.

      Minha mãe também é obesa. Deve ser, não sei o IMC dela. Mas é, sim... Você faz muito bem de tentar educa-los assim, também fico pensando, se um dia tiver filhos, tentarei cria-los o mais saudavelmente possível. Pela saúde e pelos probleminhas que você citou.

      Muito obrigada pelo seu comentário!
      Volte sempre! :D

      Excluir
  4. Minha querida, gostei muito de ler o teu post muito sincero e pessoal. A culpa é da mãe, nossa? não sei se interessa muito. O importante é o agora e o que se quer daqui para a frente, acho eu... Eu também tenho a minha história. Era gordinha, nada de especial ou grave. Conseguia comer um pão com manteiga (daqueles portugueses que dão para uma família) antes do almoço e de seguida almoçava e bem. Ao lanche comia 5 sandes ou 2 babás, uma espécie de queques cheios de calda de açúcar e topo com chantilly. A minha mãe não me dizia nada, foi educada num conceito de quando uma criança come muito e é roliça, é saudável. A minha mãe comia de tudo, mas era magra (o grande desgosto porque não engordava mais do que aquilo) porque tinha uma vida muito activa e as pizas e pré cozinhados ainda não tinham chegado. Continuando, a minha sorte era o desporto, muito, todos os dias ginástica rítmica ou,mais tarde dança jazz, andar de bicicleta aos fins de semana. A minha sorte também foi ser vaidosa típico da adolescência, e pedir para ir ao médico porque queria emagrecer. E a minha mãe levou-me ao médico. Fiz a tal reeducação alimentar e emagreci aos poucos ao longo de 2 ou 3 anos. Nada de dietas malucas. Comecei a fazer muitas refeições, eu costumava pular o pequeno almoço. Comecei a fazer pequeno almoço, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. Sempre sopa de legumes ao almoço e jantar, mais o prato com hidratos de carbono pesados à grama, um pouco de carne ou peixe, legumes e vegetais, 2 peças de fruta por dia, leite magro. Podia comer tudo, mas fritos e doces só de vez em quando. Uma vez por semana comia um bolo, sim!
    Mais tarde também fui mãe. Embora fosse muito cuidadosa com a alimentação e gravidez, o meu corpo ficou igual depois de ser mãe, o meu bébé era gordinho. Nasceu com 4.2 kg e engordou muito mais, o pediatra não autorizou as papas, só iogurte sem açúcar natural, fruta ralada ou cozida sem açúcar, e eu segui tudo como o médico dizia. Só que a criança comia dois pratos de peixe cozido ou 2 pratos de sopa, comia saudável mas demais. Mais uma vez, o desporto. Natação desde bébé até à adolescência, porque como era gordinho tinha vergonha dos amigos na piscina. Continuou com desporto, mais vestido e por isso menos vergonha, em ginásio e na praia com desportos de água (canoagem, surf e bodyboard), muita bicicleta com os amigos. Eu esforcei-me muito para lhe dar a melhor alimentação, para reduzir as quantidades, para que se mexe-se, hoje está lindo e já não é o meu "pinguim". Come bem, em qualidade e quantidade, mas de forma mais controlada. Come hamburger do Mac, de vez em quando, coca-cola em casa só no natal ou aniversário, mas é doido por sopa! Doces, eu já te contei, foi muito tarde que lhe dei a provar. E ele não teve desgosto nenhum por causa disso, era um sabor desconhecido. A experiência dos doces deve ser o mais tarde possível e os pais e os avós devem de pensar seriamente nisso. Viu Folha, dois "magricelas" que já foram gordinhos, reaprenderam a comer e a mexer o corpo, muito mais fácil para nós porque eramos mais novos e menos quilos para perder. És muito corajosa e admiro-te por isso!
    Beijinhos para a minha amiga lutadora!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, querida Ana! ♥

      Acho que outro problema de crescer gorda foi justamente não realizar nenhum exercício físico. Eu não era permitida de brincar na rua e também não fiz nenhuma dança, esporte, nada. No colégio, nas aulas de educação física, eu fugia, justamente pelo problema do seu filho: vergonha. Era muita gordura pra ficar balançando perto das "gostosas" da sala. Ficava bem no meu cantinho, quieta.

      Seu filho é um felizardo de ter experimentado doce tarde. Eu queria nunca ter experimentado. Ao contrário disso, tive uma infância regada a kinder ovos e galaks... Doce é minha maior fraqueza.

      Seu filho fez muitos esportes! Que legal. Taí, bicicleta eu andei um certo tempo, mas depois... nem sei o que houve com a danada. Era uma coisa que eu gostava e que poderia ter me ajudado bastante.

      Eu sei que você e seu filho gostam muito de sopas, mas eu não sou muito chegada não! Não vejo graça... não sei. Tenho que rever isso aí também. Sopa, pra mim, é de ervilha, bem gorda, cheia das linguiças. (Vou fazer com frango por esses dias! Quem sabe até uns legumes?)

      De certa forma, eu ainda sou nova. E eu acredito que, dessa vez, vai!

      Muito grata pelo seu comentário enorme de lindo, cheio de histórias compartilhadas!
      Beijo enooorme e obrigada pelo seu apoio!

      Excluir
  5. o problema de quem eh obeso normalmente vem de uma infancia desregrada onde a mãe começa errando e a criança segue .....

    minha mae me dava remedio pra emagrecer aos 10 anos....

    haaaaaaaaa eu sai do anonimato, vem me ver kkkkkk

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. HAHAHA, agora que você mencionou... tive uns episódios desses também! Credo! Só uma alimentação balanceada bastaria, né?

      Vou correeendo te ver! Beijos!

      Excluir
  6. Sabe que tbm falei sobre isso na terapia semana passada, mas o mais importante é que reconhece a falha, e agora não é o momento de acharmos culpados, é nos libertarmos dessas amarras. Beijos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acabei de ver seu post, Sil! E tens toda a razão. Somos livres pra nos recriar, ainda bem!

      Beijo!

      Excluir
  7. Eu tenho 5 kgs que não se vão embora de jeito nenhum. Sei que pode parecer pouco mas para mim são muitos kgs a mais Moderação é o que me falta, sempre faltou mas para minha sorte sempre tive muita força nos supermercados e não comprava porcarias. De há 2 anos para cá, é meu marido que vai ao supermercado e deixou de haver esse controlo.
    Beijo grande e força

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      Moderação é realmente difícil de conquistar. Tira o maridão das compras! Ou vai com ele. Não tem como?

      Não desmereço seus 5kgs não :) Quanto menos a gente tem, mais difícil perder. Boa sorte pra você!

      Um beijo e obrigada pela visita!

      Excluir

Receba os novos posts por e-mail!