sexta-feira, março 13, 2015

Compulsão alimentar ou safadeza?

Sexta à noite, perto das nove. Estou em casa, fazendo nada, como gosto, e está perto da hora de comer. A vontade de mastigar já está um pouco forte demais, uso minha aliada: a cozinha. Cozinhar perto da hora de comer sempre me permite aguardar o tempo de comer. Resolvi fazer uma sopinha. Daquelas de caldo ralinho mesmo, queria assim. Eu, que sou a não-entusiasmada número 01, quando se trata de sopas. Piquei chuchu, batata e cenoura que, mais tarde, iriam pro refogado junto da cebola e a manteiga sem sal. Tudo lindo, bonito, o cheiro já gostoso no ar. Um cheiro até de conforto, que é suposto das sopas trazerem. Já pensando na vontade de docinho que me dá depois de almoçar/jantar comida de verdade, sem ser lanche, me encorajei a preparar um arroz doce integral. Tudo caminhando bem, até que...

Não me lembro bem o que fui procurar no armário da dispensa, acho que macarrão pra sopa, que nem usei. Abri, olhei, demorei três segundos pra lembrar o que queria ali, o de sempre. Mas, em algum lugar no meio disso, a cilada: em cima do armário, um pacote daqueles de meio quilo de pão de mel. Foi imediato. Me chamou, eu fui. Literalmente seduzida e com zero esforço por parte do meu sedutor. Resisti por, sei lá, 57 segundos, repassando na cabeça a teoria do primeiro gole, o cuidado que tenho tentado ter de reduzir porcaria e carboidrato simples depois das dezoito, a sopinha tão gostosa que só existiu com o propósito de ser minha janta, o arroz doce que já seria minha porção de doce logo mais... Não deu. Ou eu não quis. Eu sinto mais como se eu tivesse jogado um monte de papel pro alto, por vontade própria. Após dar voltas e voltas na cozinha, como quem aguarda um bebê no saguão, eu me rendi.

"Foda-se, eu quero."
"Tanto faz, melhor comer do que guardar a vontade e ela piorar."

"Só trêszinhos pra matar a vontade! (...) Pronto, passou."
"Nem é tão gostoso, tá vendo que seco?"  E então eu voltava como uma viciada em heroína pro pacote de pão de mel. Mais três, mais três, mais um pra completar número par.

Já estando ali, com a boca cheia de... fracasso/liberdade/raiva/prazer, por que, então, parar? Eu escrevo agora, repassando meticulosamente a cena, mas a verdade é que, na hora, não penso muito. Até penso. Talvez pense muito, sim. Mas é tudo tão misturado! A boca e as mãos atacando em equipe, meu corpo como se estivesse aumentando de tamanho, se transformando num rei momo monstro que domina, e eu, a parte que luta, encolhendo e me desfazendo, dentro da carcaça. Tudo isso mais rápido do que se pode acompanhar. Mais três fatias de bolo da padaria.

Não me lembro claramente do depois. Só lembro quando estava no fogão, agilizando a sopa e encarando-a vagamente, talvez com vergonha, talvez desorientada.

A sopa estava ótima, repeti.
O arroz doce, queimei enquanto escrevia o primeiro parágrafo.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

6,5/kph e contando.

Acabo de voltar do meu, ahem, treino. Não gosto da palavra treino. Tenho mesmo problemas com nomenclaturas populares. Treino? Tá treinando pra que? Alguma competição? Não entra na minha cabeça  e olha que ela é bem aberta. Enfim. Tô voltando do meu exercício diário. Ousei chamar de, ahem, treino, porque me encontro toda metidinha por estar dando umas corridinhas. Seria aquilo que chamam de trote (não, não tenho problema com essa nomenclatura), só não é exatamente porque, bem, a gorda aqui não consegue correr né  e nem sabe se pode.

Lembrei do amigo Atilio quando cheguei em casa; ele sempre entusiasmado  orgulhoso!  de estar evoluindo na resistência física. Também estou. Uns meses atrás, quando eu ainda caminhava frequentemente  sou relaxadíssima com o compromisso, já havia tentando trotar. Essa é a hora do riso: eu "corria" cerca de... 5 segundos  HAHAHAHA  Tô rindo, de novo, porque tô metidinha, mas não é como se meu desempenho atual fosse assim, tão melhor. Devo estar correndo uns... 20, às vezes até 30, segundos seguidos. Correr cansa, tá? São 121kgs admitidos se chacoalhando em cima de um par de tênis não tão apropriados. Fora a peitaria. Tenho optado por segurar o celular na cintura, no entanto. Peitos pra esquerda, peitos pra direita :D  E eles também pesam.

No total, de 40 minutos caminhando, posso contar, generosamente, que foram 10 minutos de corrida. Uôoou! Fiz isso ontem e hoje, tá gostoso. Mas no carnaval, com visita querida, muito provavelmente vou só ficar em casa, comendo salgadinhos e vendo os desfiles pela tevê. E tá tudo bem. — Tenho uma VIDA pela frente, as escolhas vão sendo feitas, não tem prazo final, não tem pressão. Tem é saúde em questão, vaidade e tudo mais  de bom  que me importa. Uma coisa que eu sempre (sempre, sempre) lembro é uma frase que uma responsável da Herbalife muito querida me falou uma vez: "Você engordou durante todos esses anos. Não vai emagrecer da noite pro dia."  As palavras eram mais bonitas e profundas que essas, mas, justo nesse momento, não consigo me lembrar. Época de tomar Herbalife foi o outro um momento da vida em que emagreci. Mas nem de longe o que emagreci hoje e não durou muito. Um ano depois, encontrei a querida da moça e ela estava obesa de novo. Foi triste. E, de repente, o chão tinha se aberto debaixo de mim. A Herbalife entrou na minha vida num momento que eu estava muito vulnerável e foi meu primeiro contato com qualquer tipo de chá. A experiência foi horrível; depois acostumei. Eu tinha uns 17 anos. Gorda, no primeiro ano da faculdade. Foi a época que eu considero ter ficado deprimida. Não acho certo com a doença — seríssima — ficar por aí se auto-diagnosticando, mas, se não era depressão, era algo por ali. Passou. A Herbalife também.

Essa semana tem médico e estou empolgadíssima pra ele me encaminhar pra outro e mais outro médico, pra eu, finalmente, começar na academia :D A vergonha deve rolar. Não tô pensando sobre isso, mas deve. Assim como rola vergoinha de correr, assim como rolava vergoinha de caminhar, assim como rolava vergoinha da fantasia de academia. Mas supera-se. Estou ansiosa!

Descobri uma pista, movimentada até, parece que é onde todas as pessoas do meu bairro se exercitam. Esbarro com gente caminhando e correndo a todo minuto. Gordos ou marombas, no geral. Apesar de soar como, não digo isso num sentido pejorativo. Pra nenhuma das partes. (Até porque, gordo é só um adjetivo  sou a favor de fazer as pazes com as palavras que tanto já nos machucaram quando ditas por pessoas com intenções ruins.) Dentre os marombas, tem um casal: corpos belíssimos segundo o padrão da sociedade. Esbarro sempre com eles, correndo sem suar, me deixando láaa pra trás. Pelo caminho que passo, tem duas ou três academias. Tem uma, especificamente, que sempre fico olhando. Vi uma magrinha na esteira que caminhava no mesmo passo médio que eu  Opa, estou arrasando! Vejo sempre umas pessoas em aulas bem bacanas, uma animação só. Quero isso pra mim.

No momento, minhas bochechas já voltaram a cor normal. Mas tô andando meio... como um pato.

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Choramingos

(...)

O que um 2014 inteirinho teve de bom, em relação a emagrecimento, em 2015 não teve ainda. Tá massante. Tá sofrido.

Já estamos em fevereiro e as coisas não andam, o peso não diminui! Não vou dizer que a dieta/alimentação tá cem por cento, porque não tá. Mas as escorregadas, os desvios... nossa, já cometi muito mais e continuei emagrecendo. Será porque avançou um ano e tô biologicamente mais velha? Será que já tá mais difícil pra emagrecer?

Pra completar, sinto que em breve serei diagnosticada com uma doença que sempre imaginei ter  e que dificulta o processo de emagrecimento. Veremos.

Sabe o que é? Não tem mais graça! Já passou um ano inteiro, já vi que é possível emagrecer, já emagreci, já aprendi a comer bem, já resisti a tentações... não tem nada novo! Parece que acabou o ano e... sei lá. Parece que ficou tudo lá em 2014 e, pra te contar, isso tá me dando um medo danado! Imagina: 2014 foi o ano que emagreci, 2015 foi o ano que recuperei tudo. Não. Por favor, não.

Eu tô cansada.

Não tem graça fazer tudo, ou a maioria das coisas, certinho e não perder peso. Não tem graça. Falta tão pouco, por exemplo, pra completar 40 quilos perdidos. 5 quilinhos... Me parece a eternidade!

Dia 12 tem médico. Esse médico vai me encaminhar pra um monte de médico e mais um monte de exame pra, sabe-se lá quando, me autorizar a começar na academia.

A vontade de escrever vai desaparecendo; no lugar, um misto de desânimo e vergonha... eu sei lá. Só vim escrever porque, quando as coisas tão feias pro meu emagrecimento, e venho escrever aqui, elas costumam mudar. Parecem querer me desmentir. Por exemplo, no dia seguinte do último post, voltei aos 119kgs! Hoje amanheci com 121... tá foda!

Não tem mais graça.

E vocês sabem, né? Frustração dá vontade de...? Isso mesmo, COMER!

terça-feira, janeiro 27, 2015

Post da vergonha

Como vão vocês? Me contem de vocês, porque eu...

Bem. Não tava nem me vendo postando aqui por esses dias. Mas já que estou aqui, vamos lá.

Ainda não voltei aos 119kg do fim do ano, muito menos aos 117kg que tava dias antes do dia 31. Triste. Tô tentando não pensar nisso, tô tentando levar de boa e tô tentando voltar à dieta. Ai... que loucura. Que chatice. Loucura ter comido o mundo no fim do ano, chatice ainda estar tentando voltar a minha vida normal.  Inclusive, soa estranho, chamar essa vida saudável, de "normal". Uau! Parabéns, eu!

Faltam 3 dias pra acabar o mês e eu tô sentindo todo esse janeiro jogado no lixo. Um mês desperdiçado, um mês que eu poderia ter perdido vários quilos! De uma certa forma, tô sendo levemente injusta comigo, visto que eu já consegui eliminar 5 dos 125 que pesava no início do ano. Mas é que... eu já estava em 117. Que retrocesso.

Perceberam que até hoje não falei do natal?

Ontem, me lamentando, prometi que não ia mais fazer loucuras no próximo natal. Vou dizer um número pra vocês: 4. Quatro foi o número de panetones que comi sozinha entre véspera de natal e ano novo. Ano novo inclui o período de primeiro à quinze de janeiro. A vergonha na cara, não sei, deve ter ficado em 2014 (não ficou não, que eu persisto!). Mas bem, a festa da comilança já passou, né? Eu tenho comido razoavelmente direitinho e até me exercitado. Que diabos eu não tô nos 117 ainda? (...)

Tô, a cada novo dia, tentando de novo. De novo, de novo e de novo. Cada dia acerto um pouquinho mais. Vou me moldando novamente, pra voltar forte às origens boas. Ando meio perdida, em relação a tudo. É como se fosse um novo começo, tudo de novo. Como se fosse dezembro de 2013 e eu tivesse aprendendo tudo agora. Estou meio bagunçada.



Em tempo, vocês tem instagram? Se tiverem, me façam companhia lá! :D Isso é um pedido, haha. Sei que já perguntei pra alguns, mas é que... vocês do blog são mais atenciosos. Vocês gostam de ler. Vocês comentam coisas que pensam, se importam em comentar... vocês são mais parecidos comigo. Ia me fazer bem ter vocês por lá :') @blogagoraeucomofolha

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Novo de novo

Passei o réveillon numa blusa M! Uma blusa M da minha amiga! Sempre quis trocar roupa com amiga. Com essa, também grandalhona, já trocava alguns sapatos. Parece que 2015 vai me trazer trocas de roupas, também.

Não, minha amiga não é obesona. Pelas contas, só obesinha, nível 1, só um pouco a mais do acima do peso. Pessoa normal. Não, a blusa não ficou totalmente ajustada à mim. Um pouco curta demais, com as mangas um pouco curtas demais  pro meu toc de gorda puxando roupa. Mas confortável o suficiente. Principalmente porque é da minha amiga, que é "pessoa normal". Depois, porque olhei a etiqueta e vi que era M. EME! Já usei várias vezes, tô exibindo feito um award!

Nas bobeiras das fotos do réveillon em casa, vi que preciso pegar o jeito das fotos com essa nova cara, mais magra. Mas eu dou um jeito. Sempre dei jeito com a carona gorda, porque não daria com essa?

Tem uma foto, de pouco antes da virada, que lá estou eu: blusinha, shortinho, leve e solta. Nunca usaria shortinho. A última vez que havia usado shortinho, que me lembre, foi na infância. Um short jeans branco, na criancinha de 6 anos, que queria mesmo era usar alguma roupa infantil da moda dos anos 90.  Pois bem, shortinho. Dia desses, saí do armário do shortinho (fui à rua com ele). Deixei pra ir depois que o sol havia se posto, pra evitar toda aquela luz refletindo nas minhas celulites pernais. Também fiz questão de abaixar a cintura do short até um pouco depois do limite do ridículo, pra, além de conferir uma aparência "cagadinha", cobrir mais as pernas. Parecia que eu estava chegando no tapete vermelho com um vestidão. Momentos de tensão! Olhares imaginários em mim! Mostrando as pernocas, lá fui eu... comer na lanchonete. Oops!

Desde o natal, tenho andado comendo desenfreadamente. Terminei o ano com meus 119kgs planejados, mas, daí pra frente, só desastre. Engordei. Cheguei a 125 e tô agora nos 122. Não vou choramingar isso. Na verdade, não quero nem falar disso! Comi sabendo que ia engordar. Faz bem comer às vezes. Comi o mundo. Continuo comendo. Disse que ia parar dia 5, depois dia 10 e agora tô contando em tomar vergonha na cara até dia 15. Pode só ignorar essa parte do post. Acho que tô envergonhada--não, não quero é julgamento.

De uma forma ou de outra, tô com acesso ao instagram mobile de novo, o que é bom. Incentivo! Voltei a comer saudável (mentira! cabei de comer duas taças de sorvete de gordura hidrogenada!) e deixei a nova Dukan pra lá, como planejado   No início de tudo, planejei dois meses de Dukan. Com ela, pulei dos 125 pros 117. Com as comilanças, voltei aos 125. Dois meses de projeto Dukan jogados pro alto! Foda-se!

Desejo a vocês um ótimo ano, cheio de força de vontade, de inspiração, de persistência, de conhecimento, de amor próprio, de emagrecimento, de saúde e do que mais couber a cada um. Vamos fazer valer a pena! Mais um ano, mais uma oportunidade. Façam acontecer. Façam o que nunca fizeram. Façam diferente. Façam melhor. Façam! --Eu, por exemplo, já tô com três médicos marcados. Suuuucesso!

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