Eu estou me amando tanto! Já faz um tempo. Estou apaixonada por umas fotos que fiz dois dias atrás. Autorretratos. Tão linda! Nem acredito. Eu me sinto bem comigo mesma. Já faz um tempo.
Desde dezembro do ano passado, quando decidi tentar fazer alguma coisa pra mudar, eu mudei. Muito, em muitos aspectos. Eu sinto um orgulho tão grande da pessoa que eu me tornei nesse ano! Muitas pessoas seguem reclamando do ano, pedindo que acabe. Eu estaria na mesmíssima situação, se não tivesse amando tanto tudo isso, toda essa mudança que dois mil e quatorze me trouxe. Aparte de mim, meu ano não teve nada bom demais, não. Minha vida amorosa continuou na mesma, ainda me lembro de datas de dois mil e treze com a ex. Minha vida profissional andou lentamente. Não estudei, não trabalhei muito, não fiz muito dinheiro, voltei a ficar na casa da minha mãe — com quem a convivência não é fácil ou agradável, em noventa e nove por cento do tempo. Quer dizer, meu ano foi uma merda. Ou teria sido. Mas é tudo diferente, o feeling é diferente, porque estou (muito) de bem comigo.
Apesar de não ter estudado, aprendi novas coisas. Até descobri uma nova vocação. Apesar do trabalho não ter rendido tanto, essa nova vocação vai me levar pra um lugar bom! E, mesmo o velho trabalho, me trouxe um dinheirinho à calhar nesse final de ano. Eu estou cheia de sonhos. Planos. Investindo todo o meu coração nesse novo destino, sem abandonar o antigo. Sem cometer os mesmos erros. Porque aprendi.
Quase construí uma casinha, barraquinho, pra mim, esse ano. Não deu certo. Confiei em quem não devia. Cheguei a contar pra umas pessoas. Eu geralmente guardo a notícia até estar tudo concretizado. Do "enxoval" da casinha, tenho panelas e pratos guardados. Era triste e doído vê-los no cantinho, ilustrando um sonho despedaçado. Mas, também com esses novos sonhos, já arrumei um destino bonito pra eles.
Sim, pensei em quem se foi, bastante. Mas, normal. Cada dia menos. Sempre falamos bastante de você, por você ter sido tão abrupta e insana. Sempre falaremos, pois nosso tempo contigo foi muito intenso, dez anos em um. Eu venho, feliz da vida, me acostumando a viver. Sem precisar de ninguém ao lado, pra viver uma história de amor. Há tanto, precisei, sem ter. Agora, não mais. Eu me basto. Eu e quem me faz bem. Pra fazer bem, não precisa ter aquele tipo de amor envolvido. E o amor que tenho, ah, é incondicional. É minha maior certeza. Disso, eu preciso pra viver. Não teve romance, mas teve prazer.
Minhas escolhas, todas, mudaram. Passei a me respeitar mais. Só manter perto quem faz bem. Tentar, pelo menos.
É incrível o que esse ano me proporcionou. Me descobri apaixonada por coisas tão pequenas e tão grandes... Uma coisa que sempre me fez bem é estar inspirada. Amo estar inspirada. É um sentimento tão gostoso! Estou, agora. Escrevendo esse texto, pensando nas coisas boas de dois mil e quatorze, ouvindo um cover voz e violão maravilhoso, me sentindo agradecida, cheia, feliz. Pequenas coisas me inspiram. Amar coisas pequenas, que poucos estão prestando atenção, me inspiram. É incrível ver com esses olhos. Vídeos de canais incríveis de bonitos no youtube. Relatos de vida. Estar segura de mim. Transmitir essa segurança. Saber que eu estou me sentindo bem, ali, daquele jeito, e impor isso às pessoas. Ninguém tem que achar nada de você. Ninguém tem que opinar sobre seu cabelo ou dar pitaco sobre preferências que só cabem à você. Eu estou me amando sem maquiagem! Minha pele, agora desintoxicada, é boa, com raras pequenas espinhas ocasionais. Eu e minhas olheiras, minhas pintas, caminhamos por aí, todos os dias. Estou livre daquela menina, erroneamente esperançosa, que se maquiava pra ir à padaria, pro caso de esbarrar com o príncipe encantado. Mas eu não posso julgá-la. A gordinha de quinze, dezesseis anos, tinha sua própria verdade — a qual me ajudou a montar a minha própria. Essa Eu de vinte e quatro anos, tão maravilhosa, tão apaixonada pelas próprias escolhas, tão apaixonada por estar bem.
Parece incrível que só uma escolha alimentar mude tanto alguém. É que vai bem além disso. Ao tentar emagrecer, eu passei a me alimentar melhor, introduzir novos grupos alimentícios às minhas refeições. Posteriormente, descobri e não parei de pesquisar e me apaixonar pelos alimentos funcionais. Ao longo do caminho, tomei gosto em cozinhar. Logo, descobriria os inúmeros blogs e canais de culinária que gosto tanto hoje. Sentindo prazer em comer bem, descobri também outras fontes de prazer, como respirar coisas naturais. Aí, foi um caminho sem volta! Orgânicos, naturais, pensamento verde. Me tornei uma pessoa consciente. Tudo importa, tudo conta. Bater massa de bolo na mão, recusar panfletos dos quais não se é público-alvo, carregar a compra do mercado na bolsa que está usando, reutilizar coisas descartáveis, poupar e reutilizar água, recusar inseticidas cheios de química, recusar aerosóis, trocar o desodorante por leite de magnésia, testar uma sorte de cosméticos naturais e caseiros, tirar eletrônicos da tomada quando não estão em uso, deixar uma aba no navegador aberta com o Blackle, pra qualquer ida rápida ao banheiro — ou à geladeira. Passei a conhecer de e fazer escolhas mais saudáveis, em geral. É louco, não é? Mudar tanto só por mudar a alimentação?
Eu só tenho a agradecer à Eu de dezembro. Obrigada por, finalmente, querer lutar! Queria dar um abraço naquela Eu. Dividir com ela essas coisas boas. Assim como me emocionei com ela, na frente do espelho, ao ter completado vinte quilos deixados pra trás. Foi muita emoção. Aos poucos, essa Eu vai esmaecendo, ficando pra trás, no mesmo quartinho onde está a Eu de quinze, dezesseis anos. Obrigada por ter ficado, por ter continuado.
Estou na metade do caminho. Me falta, pelo menos, mais um ano de jornada. E eu espero, aos trancos e escapadas, estar aqui, ano que vem, contando mais sobre como consegui virar outra pessoa. Chega me dar medo, me imaginar outros trinta e cinco quilos mais magra. Mas também acho que o medo faça parte. Afinal, é o futuro. Não sabemos o que nos espera, não temos como. É uma surpresa. Nos resta tentar seguir nos sentindo bem e caminhando pra sermos melhor, no que for que quisermos.
Ainda me falta fazer novas fotos e compará-las com as do ano passado. Esperei o ano todo pra abrir essas fotos, de dezembro passado. Estou ansiosa. Finalmente é dezembro! :')
Desde dezembro do ano passado, quando decidi tentar fazer alguma coisa pra mudar, eu mudei. Muito, em muitos aspectos. Eu sinto um orgulho tão grande da pessoa que eu me tornei nesse ano! Muitas pessoas seguem reclamando do ano, pedindo que acabe. Eu estaria na mesmíssima situação, se não tivesse amando tanto tudo isso, toda essa mudança que dois mil e quatorze me trouxe. Aparte de mim, meu ano não teve nada bom demais, não. Minha vida amorosa continuou na mesma, ainda me lembro de datas de dois mil e treze com a ex. Minha vida profissional andou lentamente. Não estudei, não trabalhei muito, não fiz muito dinheiro, voltei a ficar na casa da minha mãe — com quem a convivência não é fácil ou agradável, em noventa e nove por cento do tempo. Quer dizer, meu ano foi uma merda. Ou teria sido. Mas é tudo diferente, o feeling é diferente, porque estou (muito) de bem comigo.
Apesar de não ter estudado, aprendi novas coisas. Até descobri uma nova vocação. Apesar do trabalho não ter rendido tanto, essa nova vocação vai me levar pra um lugar bom! E, mesmo o velho trabalho, me trouxe um dinheirinho à calhar nesse final de ano. Eu estou cheia de sonhos. Planos. Investindo todo o meu coração nesse novo destino, sem abandonar o antigo. Sem cometer os mesmos erros. Porque aprendi.
Quase construí uma casinha, barraquinho, pra mim, esse ano. Não deu certo. Confiei em quem não devia. Cheguei a contar pra umas pessoas. Eu geralmente guardo a notícia até estar tudo concretizado. Do "enxoval" da casinha, tenho panelas e pratos guardados. Era triste e doído vê-los no cantinho, ilustrando um sonho despedaçado. Mas, também com esses novos sonhos, já arrumei um destino bonito pra eles.
Sim, pensei em quem se foi, bastante. Mas, normal. Cada dia menos. Sempre falamos bastante de você, por você ter sido tão abrupta e insana. Sempre falaremos, pois nosso tempo contigo foi muito intenso, dez anos em um. Eu venho, feliz da vida, me acostumando a viver. Sem precisar de ninguém ao lado, pra viver uma história de amor. Há tanto, precisei, sem ter. Agora, não mais. Eu me basto. Eu e quem me faz bem. Pra fazer bem, não precisa ter aquele tipo de amor envolvido. E o amor que tenho, ah, é incondicional. É minha maior certeza. Disso, eu preciso pra viver. Não teve romance, mas teve prazer.
Minhas escolhas, todas, mudaram. Passei a me respeitar mais. Só manter perto quem faz bem. Tentar, pelo menos.
É incrível o que esse ano me proporcionou. Me descobri apaixonada por coisas tão pequenas e tão grandes... Uma coisa que sempre me fez bem é estar inspirada. Amo estar inspirada. É um sentimento tão gostoso! Estou, agora. Escrevendo esse texto, pensando nas coisas boas de dois mil e quatorze, ouvindo um cover voz e violão maravilhoso, me sentindo agradecida, cheia, feliz. Pequenas coisas me inspiram. Amar coisas pequenas, que poucos estão prestando atenção, me inspiram. É incrível ver com esses olhos. Vídeos de canais incríveis de bonitos no youtube. Relatos de vida. Estar segura de mim. Transmitir essa segurança. Saber que eu estou me sentindo bem, ali, daquele jeito, e impor isso às pessoas. Ninguém tem que achar nada de você. Ninguém tem que opinar sobre seu cabelo ou dar pitaco sobre preferências que só cabem à você. Eu estou me amando sem maquiagem! Minha pele, agora desintoxicada, é boa, com raras pequenas espinhas ocasionais. Eu e minhas olheiras, minhas pintas, caminhamos por aí, todos os dias. Estou livre daquela menina, erroneamente esperançosa, que se maquiava pra ir à padaria, pro caso de esbarrar com o príncipe encantado. Mas eu não posso julgá-la. A gordinha de quinze, dezesseis anos, tinha sua própria verdade — a qual me ajudou a montar a minha própria. Essa Eu de vinte e quatro anos, tão maravilhosa, tão apaixonada pelas próprias escolhas, tão apaixonada por estar bem.
Parece incrível que só uma escolha alimentar mude tanto alguém. É que vai bem além disso. Ao tentar emagrecer, eu passei a me alimentar melhor, introduzir novos grupos alimentícios às minhas refeições. Posteriormente, descobri e não parei de pesquisar e me apaixonar pelos alimentos funcionais. Ao longo do caminho, tomei gosto em cozinhar. Logo, descobriria os inúmeros blogs e canais de culinária que gosto tanto hoje. Sentindo prazer em comer bem, descobri também outras fontes de prazer, como respirar coisas naturais. Aí, foi um caminho sem volta! Orgânicos, naturais, pensamento verde. Me tornei uma pessoa consciente. Tudo importa, tudo conta. Bater massa de bolo na mão, recusar panfletos dos quais não se é público-alvo, carregar a compra do mercado na bolsa que está usando, reutilizar coisas descartáveis, poupar e reutilizar água, recusar inseticidas cheios de química, recusar aerosóis, trocar o desodorante por leite de magnésia, testar uma sorte de cosméticos naturais e caseiros, tirar eletrônicos da tomada quando não estão em uso, deixar uma aba no navegador aberta com o Blackle, pra qualquer ida rápida ao banheiro — ou à geladeira. Passei a conhecer de e fazer escolhas mais saudáveis, em geral. É louco, não é? Mudar tanto só por mudar a alimentação?
Eu só tenho a agradecer à Eu de dezembro. Obrigada por, finalmente, querer lutar! Queria dar um abraço naquela Eu. Dividir com ela essas coisas boas. Assim como me emocionei com ela, na frente do espelho, ao ter completado vinte quilos deixados pra trás. Foi muita emoção. Aos poucos, essa Eu vai esmaecendo, ficando pra trás, no mesmo quartinho onde está a Eu de quinze, dezesseis anos. Obrigada por ter ficado, por ter continuado.
Estou na metade do caminho. Me falta, pelo menos, mais um ano de jornada. E eu espero, aos trancos e escapadas, estar aqui, ano que vem, contando mais sobre como consegui virar outra pessoa. Chega me dar medo, me imaginar outros trinta e cinco quilos mais magra. Mas também acho que o medo faça parte. Afinal, é o futuro. Não sabemos o que nos espera, não temos como. É uma surpresa. Nos resta tentar seguir nos sentindo bem e caminhando pra sermos melhor, no que for que quisermos.
Ainda me falta fazer novas fotos e compará-las com as do ano passado. Esperei o ano todo pra abrir essas fotos, de dezembro passado. Estou ansiosa. Finalmente é dezembro! :')

