sexta-feira, dezembro 19, 2014

2014

Eu estou me amando tanto! Já faz um tempo. Estou apaixonada por umas fotos que fiz dois dias atrás. Autorretratos. Tão linda! Nem acredito. Eu me sinto bem comigo mesma. Já faz um tempo.

Desde dezembro do ano passado, quando decidi tentar fazer alguma coisa pra mudar, eu mudei. Muito, em muitos aspectos. Eu sinto um orgulho tão grande da pessoa que eu me tornei nesse ano! Muitas pessoas seguem reclamando do ano, pedindo que acabe. Eu estaria na mesmíssima situação, se não tivesse amando tanto tudo isso, toda essa mudança que dois mil e quatorze me trouxe. Aparte de mim, meu ano não teve nada bom demais, não. Minha vida amorosa continuou na mesma, ainda me lembro de datas de dois mil e treze com a ex. Minha vida profissional andou lentamente. Não estudei, não trabalhei muito, não fiz muito dinheiro, voltei a ficar na casa da minha mãe  com quem a convivência não é fácil ou agradável, em noventa e nove por cento do tempo. Quer dizer, meu ano foi uma merda. Ou teria sido. Mas é tudo diferente, o feeling é diferente, porque estou (muito) de bem comigo.

Apesar de não ter estudado, aprendi novas coisas. Até descobri uma nova vocação. Apesar do trabalho não ter rendido tanto, essa nova vocação vai me levar pra um lugar bom! E, mesmo o velho trabalho, me trouxe um dinheirinho à calhar nesse final de ano. Eu estou cheia de sonhos. Planos. Investindo todo o meu coração nesse novo destino, sem abandonar o antigo. Sem cometer os mesmos erros. Porque aprendi.

Quase construí uma casinha, barraquinho, pra mim, esse ano. Não deu certo. Confiei em quem não devia. Cheguei a contar pra umas pessoas. Eu geralmente guardo a notícia até estar tudo concretizado. Do "enxoval" da casinha, tenho panelas e pratos guardados. Era triste e doído vê-los no cantinho, ilustrando um sonho despedaçado. Mas, também com esses novos sonhos, já arrumei um destino bonito pra eles.

Sim, pensei em quem se foi, bastante. Mas, normal. Cada dia menos. Sempre falamos bastante de você, por você ter sido tão abrupta e insana. Sempre falaremos, pois nosso tempo contigo foi muito intenso, dez anos em um. Eu venho, feliz da vida, me acostumando a viver. Sem precisar de ninguém ao lado, pra viver uma história de amor. Há tanto, precisei, sem ter. Agora, não mais. Eu me basto. Eu e quem me faz bem. Pra fazer bem, não precisa ter aquele tipo de amor envolvido. E o amor que tenho, ah, é incondicional. É minha maior certeza. Disso, eu preciso pra viver. Não teve romance, mas teve prazer.

Minhas escolhas, todas, mudaram. Passei a me respeitar mais. Só manter perto quem faz bem. Tentar, pelo menos.

É incrível o que esse ano me proporcionou. Me descobri apaixonada por coisas tão pequenas e tão grandes... Uma coisa que sempre me fez bem é estar inspirada. Amo estar inspirada. É um sentimento tão gostoso! Estou, agora. Escrevendo esse texto, pensando nas coisas boas de dois mil e quatorze, ouvindo um cover voz e violão maravilhoso, me sentindo agradecida, cheia, feliz. Pequenas coisas me inspiram. Amar coisas pequenas, que poucos estão prestando atenção, me inspiram. É incrível ver com esses olhos. Vídeos de canais incríveis de bonitos no youtube. Relatos de vida. Estar segura de mim. Transmitir essa segurança. Saber que eu estou me sentindo bem, ali, daquele jeito, e impor isso às pessoas. Ninguém tem que achar nada de você. Ninguém tem que opinar sobre seu cabelo ou dar pitaco sobre preferências que só cabem à você. Eu estou me amando sem maquiagem! Minha pele, agora desintoxicada, é boa, com raras pequenas espinhas ocasionais. Eu e minhas olheiras, minhas pintas, caminhamos por aí, todos os dias. Estou livre daquela menina, erroneamente esperançosa, que se maquiava pra ir à padaria, pro caso de esbarrar com o príncipe encantado. Mas eu não posso julgá-la. A gordinha de quinze, dezesseis anos, tinha sua própria verdade  a qual me ajudou a montar a minha própria. Essa Eu de vinte e quatro anos, tão maravilhosa, tão apaixonada pelas próprias escolhas, tão apaixonada por estar bem.

Parece incrível que só uma escolha alimentar mude tanto alguém. É que vai bem além disso. Ao tentar emagrecer, eu passei a me alimentar melhor, introduzir novos grupos alimentícios às minhas refeições. Posteriormente, descobri e não parei de pesquisar e me apaixonar pelos alimentos funcionais. Ao longo do caminho, tomei gosto em cozinhar. Logo, descobriria os inúmeros blogs e canais de culinária que gosto tanto hoje. Sentindo prazer em comer bem, descobri também outras fontes de prazer, como respirar coisas naturais. Aí, foi um caminho sem volta! Orgânicos, naturais, pensamento verde. Me tornei uma pessoa consciente. Tudo importa, tudo conta. Bater massa de bolo na mão, recusar panfletos dos quais não se é público-alvo, carregar a compra do mercado na bolsa que está usando, reutilizar coisas descartáveis, poupar e reutilizar água, recusar inseticidas cheios de química, recusar aerosóis, trocar o desodorante por leite de magnésia, testar uma sorte de cosméticos naturais e caseiros, tirar eletrônicos da tomada quando não estão em uso, deixar uma aba no navegador aberta com o Blackle, pra qualquer ida rápida ao banheiro  ou à geladeira. Passei a conhecer de e fazer escolhas mais saudáveis, em geral. É louco, não é? Mudar tanto só por mudar a alimentação?

Eu só tenho a agradecer à Eu de dezembro. Obrigada por, finalmente, querer lutar! Queria dar um abraço naquela Eu. Dividir com ela essas coisas boas. Assim como me emocionei com ela, na frente do espelho, ao ter completado vinte quilos deixados pra trás. Foi muita emoção. Aos poucos, essa Eu vai esmaecendo, ficando pra trás, no mesmo quartinho onde está a Eu de quinze, dezesseis anos. Obrigada por ter ficado, por ter continuado.

Estou na metade do caminho. Me falta, pelo menos, mais um ano de jornada. E eu espero, aos trancos e escapadas, estar aqui, ano que vem, contando mais sobre como consegui virar outra pessoa. Chega me dar medo, me imaginar outros trinta e cinco quilos mais magra. Mas também acho que o medo faça parte. Afinal, é o futuro. Não sabemos o que nos espera, não temos como. É uma surpresa. Nos resta tentar seguir nos sentindo bem e caminhando pra sermos melhor, no que for que quisermos.

Ainda me falta fazer novas fotos e compará-las com as do ano passado. Esperei o ano todo pra abrir essas fotos, de dezembro passado. Estou ansiosa. Finalmente é dezembro! :')

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Ah, a estagnação...

Aconteceu comigo nos 132kgs, está acontecendo comigo nos 119kgs. Pra chorar.

Como disse em posts atrás, minha meta de final de ano era terminar 2014 com 119kgs, no caso, 35 quilos perdidos desde o último dezembro. Whoa, bastante coisa! Ainda bem que não fui ozada e me coloquei meta de -40kgs, coisa que julguei ser fácil alcançar e que, provavelmente, alcançaria, se não tivesse sob essa coisa que mais parece um feitiço da bruxa má  HA! HA! HA! Para sempre ficarás presa neste peso! ~raios e trovões~

Coisa chata é essa de estagnação! A dieta tô fazendo certinha. Tava, pelo menos. De uns dias pra cá, já muito injuriada desse peso que não se altera, toquei o foda-se e andei comendo. Uns dizem que uns dias lixos dão um choque no organismo. O que me custava tentar? Nada! E, na verdade, nem tentei. Não comi com esse propósito. Comi pra comer mesmo!

O bom é que minha meta tá batida. O ruim é que tá chegando natal e ano novo: haverá comilança. Claro que não tanto como sempre, mas haverá. Lembro que, ano passado, já no processo de emagrecimento, fiz festival de pizza  congelada  aqui em casa. Fiz a festa! Foi válido. E não atrapalhou meu emagrecimento  nem o meu foco. Dias depois eu já tava de volta a minha normalidade. (...) Bem, eu acho. Eu poderia ser maluca e pensar que aquelas pizzas desencadearam a minha falta de seriedade e compromisso como nos primeiros dias. Mas eu estaria sendo louca. E chega de procurar problema! Sei muito bem que fui relaxando, porque a perda de peso foi acontecendo. E tá tudo bem! Chega de procurar por sofrimento! Chegaaa!

Bom, como eu ia dizendo, a comilança desse ano vai ser um pouquinho diferente. Terá uma torta de limão Dukan (torta de clight e leite em pó), a rabanada será de forno (o que me faz querer chorar, porque eu espero o ano inteiro pra comer a maravilhosa da rabanada, a rainha do natal, minha coisa preferida nas festas, o verdadeiro motivo da minha comemoração), o pastel será de forno (desde que vi num post da Sil que existe massa pronta pra ir ao forno, fiquei com aquilo na cabeça! Semana passada, achei a danada no mercado e comprei! Da menor circunferência, da menor quantidade. Só pra ter.) e o pudim... bom, o pudim eu ainda tô decidindo. Desde que vi umas pessoas desenformando o pudim dois leites Dukan e ele se quebrando, fiquei receosa e com vontade de fazer o normal mesmo, ainda que substituindo o leite condensado por um caseiro dietético. Também tem o pavê. O pavê da tradição. Todo santo final de ano tem, aqui em casa. É uma receita de família. Seria estranho não ter. Na verdade, eu não quero abrir mão. Posso fazer o pavê, só que numa travessa menor!

E esse é o problema. O fim do ano e suas comidas. Se manter nos 119-menos35. Se eu manter, tô feliz! O que não posso é perder esses números. Por isso, tava correndo atrás de uma margem de folga. Pra poder engordar no natal e ainda amanhecer dia primeiro do novo ano com minha meta batida intacta! Cara de pau Só sendo realista

Quem sabe?

sexta-feira, novembro 21, 2014

Não vejo a hora de ser magra!

Meu peso atual é 121,30kg e eu estou muito feliz, obrigada!

Só na última semana, perdi dois quilos e seiscentos. O que está acontecendo comigo? Meu metabolismo resolveu colaborar magicamente? Não.

Um tempo atrás, minha amiga estava conversando comigo sobre começar a dieta Dukan. Sempre tive minhas resistências, mas também sempre quis experimentar. Apesar dos prós, eu questionava todos os contras. Contras, algumas vezes, só pra mim, que me importava. A dieta Dukan vai contra inúmeros, incontáveis ideais da filosofia, por assim dizer, que desenvolvi nessa nova vida, como chamo. Adoçante, essências, suco em pó e mais uma série de companheiros artificiais de todos os tipos pra salvar o paladar das amigas da proteína em apuros. Fora os artifícios mágicos, outras coisas poderiam ser lidas facilmente na internet: "dukan dá mau-hálito", "dukan não deixa ir ao banheiro", "dukan pode ser perigosa por excluir nutrientes e grupos alimentares" (...) Algumas coisas até assustavam. Mas o que mais me preocupava, sempre, era a questão saúde. Me habituei a ter e querer uma vida saudável, me reeduquei em tantas coisas; agora como fruta, agora como folha. O assunto Dukan ficou meio que arquivado.

Umas semanas atrás, esbarrei com algum site falando sobre "a nova Dukan". Imediatamente enviei pra essa minha amiga e, conversa daqui e conversa de lá, resolvemos começar. A danada da dieta tem que começar, obrigatoriamente, numa segunda-feira. Aguardamos, então.

A nova dieta Dukan é menos restritiva, "mais fácil", como alguns amiguinhos da Dukan-mãe chamam. Sinto um certo desdém nas palavras que escrevem. Sim, é mais fácil, porém não é fácil. Dietas são restritivas, todas elas, cada qual de acordo com sua natureza. Há as low-carb, a Paleo, a Dukan, a da lua, a do leite... (...) E há a RA. A nossa, a minha querida RA, onde tudo se pode comer!

Por um lado, me senti traindo, sim, todos os meus princípios, recém-criados, saudáveis. Por outro, aceitei finalmente minha verdade: eu preciso emagrecer. Sim, eu já havia entendido isso. Mas, como já cansei de dizer, vivia no dilema "comer saudável ou comer magro?"  e eu sempre pendia pro saudável. O magro que se danasse. Eu não ia alimentar meu corpo com um monte de porcarias artificiais! Chega, já comi porcarias por uma vida inteira!  E assim, na grande maioria das vezes, eu seguia.

Açúcar ou adoçante? Açúcar! Mascavo! Ou mel. (Agave é muito caro pro meu bolso)
Gelatina do mercado, cheia de químicas ou gelatina caseira, feita com muito prazer, suco de fruta e açúcar bacana? Caseira, claro!

Tinha até parado de consumir gelatina de mercado. Estava extrema. E me gostava (gosto) assim. Faz bem pra minha alma.  O que estou fazendo agora, então? Estou fechando meus olhos. Sim. Meus olhos estão fechadinhos. Vou fingir que não estou entendendo. Não quero saber de nada. Só fazer vista grossa e deixar passar.

Quero deixar claro que não estou mais em conflito interno. Já me resolvi. Já processei esse meu dilema de sempre e, por enquanto e só por enquanto, estarei comendo magro. Apenas magro. Não interessa se tem nitrito como conservante; se for magro, estarei comendo. No começo foi difícil abrir mão das minhas convicções, que ainda estão comigo. Mas, a vista grossa resolve meus problemas. Está tudo bem. E mais um ano comendo porcaria não vai me dar um câncer. Não vai. Eu resolvi isso.

A nova Dukan funciona quase como uma reeducação alimentar, mas, aqui, não poderei comer nem óleo, nem açúcar e terei meus grupos alimentares definidos por dia. A dieta ainda não tem uma tradução oficial, então há muitas coisas perdidas na tradução livre e alguns desencontros. Mas, dá pra fazer.

Segunda: Proteínas
Terça: Proteínas + Legumes
Quarta: Proteínas + Legumes + 1 porção de fruta
Quinta: Proteínas + Legumes + 1 porção de fruta + 2 fatias de pão integral
Sexta: Proteínas + Legumes + 1 porção de fruta + 2 fatias de pão integral + 1 porção de queijo
Sábado: Proteínas + Legumes + 1 porção de fruta + 2 fatias de pão integral + 1 porção de queijo + 1 porção de amido
Domingo: Proteínas + Legumes + 1 porção de fruta + 2 fatias de pão integral + 1 porção de queijo + 1 porção de amido + 1 refeição de gala

Tudo isso acompanhado de caminhada e farelo de aveia todo dia.
As amigas dukanetes devem notar a semelhança com uma das fases da dieta original.

Existem umas coisinhas muito complicadas de entender, perdidas na tradução, como disse. Por exemplo, a porção de queijo  "duros ou fermentados"  Eu lá entendo de queijo, moço! Outras, só só complicadas por si só mesmo, como perder tanto peso em tão pouco tempo: será que isso não prejudica o corpo? (...) Aí penso "tanto faz, o corpo já está estragado mesmo!" e fica tudo bem. Sem contar que, mesmo perdendo muito, a maior parte dessa dieta é composta por proteína... que faz bem pros músculos... Eu sei lá. Vista grossa.

Assim sendo, posso dizer que estou fazendo a nova Dukan, com alguma liberdade de interpretação. Está funcionando. Minha meta de -35kgs off em 2014 está quase alcançada; faltam apenas 2kgs! :D

Essa dieta é bacana. Quem quiser saber mais, recomendo muita, muita pesquisa na internet. Existem milhões de detalhes que não coloquei aqui, até porque não tô aqui pra vender dieta. Mas, emagrece sim. (Choro livre pela banana que não pode comer e pelo requeijão zero gorduras que tem gostinho de papa encontrando com nada e um toquezinho de lágrimas no final.)

Então, meus amigos: Vista grossa. Perder peso. Emagrecer. Ser saudável quando for magra. Prioridades. Você ainda é uma obesa, afinal.

Falando em obesidade, deixa eu finalizar com mais uma notícia feliz: AGORA SOU OBESIDADE NÍVEL II! AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE HAHAHAHAHAHA Obesidade nível dois, cara! NÍVEL DOIS! *opa, deixa eu me recompor* hahaha Então, amigos. É pra comemorar sim! Êta, caralho! Tô lendo aqui no site de calcular IMC e ainda estou boba! Meu IMC atual é 39,06. Já tem, pelo menos, uma semana inteira que saí do nível III (obesidade mórbida) e ainda estou boba, feliz, satisfeitíssima! Dando pulinhos de alegria! *suspira* Estou muito feliz de ser obesa severa. CHUPA, OBESA MÓRBIDA DO ANO PASSADO, CHUPA! hahahahaha Tchau.

(Apagaria esse último parágrafo descontrolado, mas estou mesmo muito feliz. :'D)

quarta-feira, outubro 29, 2014

Dois meses pro final do ano!

Eu não vou dizer que não estou emagrecendo. Estou.

Posso estar emagrecendo mais lentamente. Ou não. Mas estou emagrecendo. Finalmente, cheguei nos 125kg! O danado do 125, de onde as mais imensas de gorda partiram. Sonhei com esse número secretamente por um tempo. Agora que estou aqui, tirei um pouco de sua importância. Só eu sendo quem sou.

Recentemente, descobri que duas amigas minhas emagreceram. Uma amiga mesmo, mas não mora no estado e outra, de mais perto, já não tão amiga assim. Lembrei das várias vezes que essa segunda esteve aqui em casa, sonhando comigo sobre ser magra. Lembro da gente puxando as gorduras pra frente do corpo, visualizando sobre o ombro, no espelho, uma cintura "fininha" nas costas. Ela tá consideravelmente magra. Deve ter se esforçado também, pois sempre foi gorda. A primeira citada, a amiga-amiga, conseguiu perder 1/3 do que eu perdi e tá toda feliz. Fiquei feliz por ela, também. Batemos um papo sobre alimentação, dieta, rotina de gordo querendo ser ex-gordo, etc. Foi legal. Só que, desde então, tenho me pego numa fissuração louca, em seu sentido não tão figurado assim, de emagrecer. "Ah, porque ela não come nem macarrão..."; "Sua amiga já perdeu 10 quilos!"  Os pensamentos de culpa e auto-acusação começaram a ir e vir. Foi aí que entendi a feiura da minha cabeça: travei uma disputa inexistente contra os quilos perdidos da minha amiga. O que não faz o menor sentido! Primeiro, porque estou perdendo peso há quase um ano. Sou veterana nisso. Segundo, porque já perdi o triplo dela. Alou, eu, você está "na frente"! Mais absurdo do que travar uma batalha de um guerreiro só, ainda me faço sentir mal, MESMO estando "ganhando". Eu me envergonho de mim quando tenho pensamentos assim. Sou tão evoluída e bem resolvida numas coisas, pra me deixar vencer por meus próprios pensamentos tolos. Eu teria mais vergonha ainda se minha amiga caísse de paraquedas aqui e lesse essas besteiras.

(Sobre a amiga-não-tão-mais, divaguei sozinha sobre seu método de emagrecimento: se era saudável, se estava tomando remédios, se tinha parado de comer, se estava se entupindo de nitritos e nitratos e ainda assim estava magra. Em tempo, outro pensamento: "Poxa, eu achei que EU ia ser a emagrecida do antigo grupo. Já não sou mais o destaque". Eu tenho um problema de egocentrismo/estrelismo intenso. Culpo o signo. Mas tento melhorar. Gosto de explanar meus pensamentos pra que vocês não achem que sou um doce de gordinha. Não sou. Sou uma má pessoa em muitas situações.)

Essa obsessão não pode fazer bem. Ainda mais se te deixar ansiosa e propensa a atacar doces.

Semana passada, fiz um propósito comigo mesma de tentar reduzir o açúcar a uma refeição por dia. Excluindo molho de tomate e essas coisas. O açúcar puro, em questão, viria de refeições doces mesmo, até das mais saudáveis, como panqueca de cacau (adaptei uma receita de panqueca americana... vocês não tem ideia da gostosura!). O açúcar que venho usando é o light, metade açúcar, metade adoçante. (...) Fico desconfortável com o adoçante, mas vivo me afundando e voltando de um dos meus eternos dilemas: saudável ou magro? Sempre tendo a preferir o saudável e, nessa, já passei pelo cristal, demerara, mascavo... Mas como o nome diz: dilema.

Pois, então. Mesmo antes da minha amiga aparecer, eu tinha decidido que fecharia 2014 tendo eliminado 35 quilos. Pensei que 40 seria possível, mas sei bem dos meus escorregões. E, como pra isso, teria que perder 12 quilos, optei por uma metinha mais pé no chão. No dia de hoje, ainda não virei os 30 quilos exatamente. Mas tá quase lá. Se for contar pelo meu peso matutino e em jejum — conto assim, desde que comprei uma balança, hoje complelo -29,900kg. Sabe, EU SEI que poderia ter ido muito melhor nessa. Eu ainda como tanta besteira... Não é que não tenho jeito: eu tenho, acredito nisso. Mas eu tenho sido safada-sem-vergonha o bastante pra me permitir seguindo em rédeas frouxas. E, pra mim, nesse momento, desde que eu continue perdendo, estou ganhando.

Sei que preciso quero fechar mais a boca nesses próximos dois meses. Ainda me restam 6 quilos pra meta estabelecida. Nesse caso, fecho o ano pesando 119kg (Já tô aqui pensando que poderia fechar em 115...). Só então, vem os bichos-papões... festas de natal e ano novo! Não... nada disso. Não sei como vou me comportar, mas sei que pretendo o melhor possível. E desde uns meses atrás, já sei que o pudim da ceia vai ser um mais light que vi lá no blog da Denny.

Sinto falta do instagram. Olhar uma timeline motivada o dia todo meio que ajuda. Estou sem celular e poderia olhar pelo computador, sim, mas não é a mesma coisa. E eu gosto de sofrer, então... (...)

Resultado dessa loucura bagunçada e constante: com roupas mais largas e atualizando a barrinha de progresso aqui embaixo! :')

segunda-feira, outubro 06, 2014

Gordura e osso.

Olhando foto de exatos dois anos atrás, pareço maior. Cheia de gomos de gordura nas costas, pernas que parecem "socadas". Não sei quanto pesava lá, mas fico feliz de estar diminuindo meu espaço físico no mundo.

No espelho, me enxergo menor. Magra, até. Pelo menos, pros meus padrões. Coisa boa. Minhas mãos na minha cintura sentem uma versão menor de mim. Minha cara, mais fina. Dia desses, toquei meu tendão do tornozelo, da parte de trás — descobri aqui no Google que o nome é "tendão de aquiles" — e, pela primeira vez, senti uma coisinha, igual de todas as pessoas que observei na vida. Já não era só mais uma coisa redonda. Falando nisso.

Tocar meu corpo é muito estranho. Eu tendo a ser um pouquinho louca das doenças, combinando isso com o fato de não gostar muito de ir ao médico. Somando à essa equação o fato de não ter plano de saúde e bastante disposição pra protelar na hora de tomar atitudes na vida, tipo correr atrás de um médico público. Mas estou pra resolver isso. O estranho, no entanto, é tocar meu corpo e não saber se aquelas coisas já estavam ali antes, se só nunca senti pela falta de espaço; este, ocupado tão somente pela gordura. Tudo parece estranho. Tecidos estranhos. Ossos. Partes duras. Ossos. É tudo muito estranho e não faço ideia do que seria normal. Não é igual em outras pessoas. É como se fosse um tecido todo danificado, em todas as partes do corpo. Os seios são a pior parte. Acredito que, por terem despencado, talvez tenham, literalmente, saído do lugar. Não sei. É estranho demais. As texturas... tudo. Estou tomando coragem de visitar a dona ginecologista pra me tranquilizar. Essa será, então, minha primeira consulta de pernas abertas. Tenho vinte e quatro anos. (...) Médico de médicos, essas coisas.

A pior parte da gordura sempre foi os outros. Ver os outros. Ser diferente dos outros. Parece um monstro gigante do lado dos outros. Esse mês, tive a oportunidade de tirar uma foto com uma cantora que gosto. A expectativa pra ver como as fotos tinham saído não terminava. Imaginei três mil e uma formas de como a foto poderia sair ruim. Sou boa entendedora de como sair bem e sair mal nas fotos. Era esperado que eu saísse mal.  Ou não. De repente, eu acreditava que poderia sair bem como em um selfie — Mas foi pior! Mesmo tendo imaginado tantas caras e situações que poderiam me acontecer na foto, foi pior! Ugh. A cantora com seus um e sessenta, toda magrinha e pequena. Eu lá, toda gorda e com meus mais de um e setenta e, em uma das fotos, com os ombros caídos. Meu peito empurrando o braço da moça. Meu peito DO TAMANHO do braço da moça. Por que tão grande? Frustrante. Vergonhoso. Embaraçoso! Onde me esconder? E se meus amigos 'de internet', que não me conhecem de corpo, vissem a foto e me identificassem? E se um amigo meu de perto, visse a foto e me marcasse? De novo: tantas possibilidades... nenhuma boa. Euzinha, na minha, só ignorei a foto com a querida da cantora. Não curti, não comentei, não compartilhei. Nada pra chamar a atenção. Não tuitei, não postei a foto cortada/melhorada no instagram. Nada. Aquele momento não existiu.

Eu tenho esse problema, sempre tive: não me vejo gorda como sou  Minha amiga brinca que é uma "anorexia invertida". Me sinto até bem, uma vez ou outra. Me sinto magra, "gorda-aceitável", ok... ou, dependendo do dia, bonita e até sexy. Sexy demais. — Mas não quando me colocam do lado de uma pessoa tão mignon. Tanto tempo eu não tinha essa sensação. É o colégio, tudo de novo. As amiguinhas de classe todas gostosinhas, vestindo 36 com corpão e aquela barriguinha no ponto, sexy, só com o meio levemente saliente e um piercing brilhante pra acompanhar — Fazia sucesso na época. Queria eu ter usado minha barriguinha de fora, feito um piercing tosquinho no umbigo e carregar um furo feio até hoje! (Nadíssima contra piercings, muitíssimo mesmo pelo contrário. O nariz torcido é só com o do umbigo mesmo.)

...E assim eu desperdicei a alegria da foto. Felicidade? Se foi, se perdeu entre tanta apreensão. Aproveitar o momento? Não, não. Uma coisa sobre meet-and-greets: sempre tive medo. Aliás, sempre tive medo de muitas coisas, muitas realidades. A minha vontade sempre foi me esconder dos amigos que "não me conhecem". Pra sempre.  Já deixei de ver gente querida que estava no meu estado. Já fui até outro estado, vi pessoas queridas e deixei de cumprimentar  Ou então, agora que existe a possibilidade real de emagrecer, emagrecer e pronto, viver a vida normal, jamais deixando alguém saber que eu fui gorda.

É como eu disse uma vez: tem tanto pra perder, que até desanima. Olhar de fora, como me senti olhando aquela foto de meio-corpo, e perceber que a mudança visível nem foi tanta assim. Ou foi e, na realidade, o monstro do passado era um monstro ainda mais gordo. Sei lá.

Não estou desistindo, não. Inclusive, estou ótima e feliz por já ter perdido tanto! São só perspectivas... coisas da vida.

E, pra finalizar, acabo de descobrir que a tal da anorexia invertida existe sim! Se chama "gordurexia". (...) Não estou acreditando. Isso me rende outro texto.

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