quarta-feira, outubro 29, 2014

Dois meses pro final do ano!

Eu não vou dizer que não estou emagrecendo. Estou.

Posso estar emagrecendo mais lentamente. Ou não. Mas estou emagrecendo. Finalmente, cheguei nos 125kg! O danado do 125, de onde as mais imensas de gorda partiram. Sonhei com esse número secretamente por um tempo. Agora que estou aqui, tirei um pouco de sua importância. Só eu sendo quem sou.

Recentemente, descobri que duas amigas minhas emagreceram. Uma amiga mesmo, mas não mora no estado e outra, de mais perto, já não tão amiga assim. Lembrei das várias vezes que essa segunda esteve aqui em casa, sonhando comigo sobre ser magra. Lembro da gente puxando as gorduras pra frente do corpo, visualizando sobre o ombro, no espelho, uma cintura "fininha" nas costas. Ela tá consideravelmente magra. Deve ter se esforçado também, pois sempre foi gorda. A primeira citada, a amiga-amiga, conseguiu perder 1/3 do que eu perdi e tá toda feliz. Fiquei feliz por ela, também. Batemos um papo sobre alimentação, dieta, rotina de gordo querendo ser ex-gordo, etc. Foi legal. Só que, desde então, tenho me pego numa fissuração louca, em seu sentido não tão figurado assim, de emagrecer. "Ah, porque ela não come nem macarrão..."; "Sua amiga já perdeu 10 quilos!"  Os pensamentos de culpa e auto-acusação começaram a ir e vir. Foi aí que entendi a feiura da minha cabeça: travei uma disputa inexistente contra os quilos perdidos da minha amiga. O que não faz o menor sentido! Primeiro, porque estou perdendo peso há quase um ano. Sou veterana nisso. Segundo, porque já perdi o triplo dela. Alou, eu, você está "na frente"! Mais absurdo do que travar uma batalha de um guerreiro só, ainda me faço sentir mal, MESMO estando "ganhando". Eu me envergonho de mim quando tenho pensamentos assim. Sou tão evoluída e bem resolvida numas coisas, pra me deixar vencer por meus próprios pensamentos tolos. Eu teria mais vergonha ainda se minha amiga caísse de paraquedas aqui e lesse essas besteiras.

(Sobre a amiga-não-tão-mais, divaguei sozinha sobre seu método de emagrecimento: se era saudável, se estava tomando remédios, se tinha parado de comer, se estava se entupindo de nitritos e nitratos e ainda assim estava magra. Em tempo, outro pensamento: "Poxa, eu achei que EU ia ser a emagrecida do antigo grupo. Já não sou mais o destaque". Eu tenho um problema de egocentrismo/estrelismo intenso. Culpo o signo. Mas tento melhorar. Gosto de explanar meus pensamentos pra que vocês não achem que sou um doce de gordinha. Não sou. Sou uma má pessoa em muitas situações.)

Essa obsessão não pode fazer bem. Ainda mais se te deixar ansiosa e propensa a atacar doces.

Semana passada, fiz um propósito comigo mesma de tentar reduzir o açúcar a uma refeição por dia. Excluindo molho de tomate e essas coisas. O açúcar puro, em questão, viria de refeições doces mesmo, até das mais saudáveis, como panqueca de cacau (adaptei uma receita de panqueca americana... vocês não tem ideia da gostosura!). O açúcar que venho usando é o light, metade açúcar, metade adoçante. (...) Fico desconfortável com o adoçante, mas vivo me afundando e voltando de um dos meus eternos dilemas: saudável ou magro? Sempre tendo a preferir o saudável e, nessa, já passei pelo cristal, demerara, mascavo... Mas como o nome diz: dilema.

Pois, então. Mesmo antes da minha amiga aparecer, eu tinha decidido que fecharia 2014 tendo eliminado 35 quilos. Pensei que 40 seria possível, mas sei bem dos meus escorregões. E, como pra isso, teria que perder 12 quilos, optei por uma metinha mais pé no chão. No dia de hoje, ainda não virei os 30 quilos exatamente. Mas tá quase lá. Se for contar pelo meu peso matutino e em jejum — conto assim, desde que comprei uma balança, hoje complelo -29,900kg. Sabe, EU SEI que poderia ter ido muito melhor nessa. Eu ainda como tanta besteira... Não é que não tenho jeito: eu tenho, acredito nisso. Mas eu tenho sido safada-sem-vergonha o bastante pra me permitir seguindo em rédeas frouxas. E, pra mim, nesse momento, desde que eu continue perdendo, estou ganhando.

Sei que preciso quero fechar mais a boca nesses próximos dois meses. Ainda me restam 6 quilos pra meta estabelecida. Nesse caso, fecho o ano pesando 119kg (Já tô aqui pensando que poderia fechar em 115...). Só então, vem os bichos-papões... festas de natal e ano novo! Não... nada disso. Não sei como vou me comportar, mas sei que pretendo o melhor possível. E desde uns meses atrás, já sei que o pudim da ceia vai ser um mais light que vi lá no blog da Denny.

Sinto falta do instagram. Olhar uma timeline motivada o dia todo meio que ajuda. Estou sem celular e poderia olhar pelo computador, sim, mas não é a mesma coisa. E eu gosto de sofrer, então... (...)

Resultado dessa loucura bagunçada e constante: com roupas mais largas e atualizando a barrinha de progresso aqui embaixo! :')

segunda-feira, outubro 06, 2014

Gordura e osso.

Olhando foto de exatos dois anos atrás, pareço maior. Cheia de gomos de gordura nas costas, pernas que parecem "socadas". Não sei quanto pesava lá, mas fico feliz de estar diminuindo meu espaço físico no mundo.

No espelho, me enxergo menor. Magra, até. Pelo menos, pros meus padrões. Coisa boa. Minhas mãos na minha cintura sentem uma versão menor de mim. Minha cara, mais fina. Dia desses, toquei meu tendão do tornozelo, da parte de trás — descobri aqui no Google que o nome é "tendão de aquiles" — e, pela primeira vez, senti uma coisinha, igual de todas as pessoas que observei na vida. Já não era só mais uma coisa redonda. Falando nisso.

Tocar meu corpo é muito estranho. Eu tendo a ser um pouquinho louca das doenças, combinando isso com o fato de não gostar muito de ir ao médico. Somando à essa equação o fato de não ter plano de saúde e bastante disposição pra protelar na hora de tomar atitudes na vida, tipo correr atrás de um médico público. Mas estou pra resolver isso. O estranho, no entanto, é tocar meu corpo e não saber se aquelas coisas já estavam ali antes, se só nunca senti pela falta de espaço; este, ocupado tão somente pela gordura. Tudo parece estranho. Tecidos estranhos. Ossos. Partes duras. Ossos. É tudo muito estranho e não faço ideia do que seria normal. Não é igual em outras pessoas. É como se fosse um tecido todo danificado, em todas as partes do corpo. Os seios são a pior parte. Acredito que, por terem despencado, talvez tenham, literalmente, saído do lugar. Não sei. É estranho demais. As texturas... tudo. Estou tomando coragem de visitar a dona ginecologista pra me tranquilizar. Essa será, então, minha primeira consulta de pernas abertas. Tenho vinte e quatro anos. (...) Médico de médicos, essas coisas.

A pior parte da gordura sempre foi os outros. Ver os outros. Ser diferente dos outros. Parece um monstro gigante do lado dos outros. Esse mês, tive a oportunidade de tirar uma foto com uma cantora que gosto. A expectativa pra ver como as fotos tinham saído não terminava. Imaginei três mil e uma formas de como a foto poderia sair ruim. Sou boa entendedora de como sair bem e sair mal nas fotos. Era esperado que eu saísse mal.  Ou não. De repente, eu acreditava que poderia sair bem como em um selfie — Mas foi pior! Mesmo tendo imaginado tantas caras e situações que poderiam me acontecer na foto, foi pior! Ugh. A cantora com seus um e sessenta, toda magrinha e pequena. Eu lá, toda gorda e com meus mais de um e setenta e, em uma das fotos, com os ombros caídos. Meu peito empurrando o braço da moça. Meu peito DO TAMANHO do braço da moça. Por que tão grande? Frustrante. Vergonhoso. Embaraçoso! Onde me esconder? E se meus amigos 'de internet', que não me conhecem de corpo, vissem a foto e me identificassem? E se um amigo meu de perto, visse a foto e me marcasse? De novo: tantas possibilidades... nenhuma boa. Euzinha, na minha, só ignorei a foto com a querida da cantora. Não curti, não comentei, não compartilhei. Nada pra chamar a atenção. Não tuitei, não postei a foto cortada/melhorada no instagram. Nada. Aquele momento não existiu.

Eu tenho esse problema, sempre tive: não me vejo gorda como sou  Minha amiga brinca que é uma "anorexia invertida". Me sinto até bem, uma vez ou outra. Me sinto magra, "gorda-aceitável", ok... ou, dependendo do dia, bonita e até sexy. Sexy demais. — Mas não quando me colocam do lado de uma pessoa tão mignon. Tanto tempo eu não tinha essa sensação. É o colégio, tudo de novo. As amiguinhas de classe todas gostosinhas, vestindo 36 com corpão e aquela barriguinha no ponto, sexy, só com o meio levemente saliente e um piercing brilhante pra acompanhar — Fazia sucesso na época. Queria eu ter usado minha barriguinha de fora, feito um piercing tosquinho no umbigo e carregar um furo feio até hoje! (Nadíssima contra piercings, muitíssimo mesmo pelo contrário. O nariz torcido é só com o do umbigo mesmo.)

...E assim eu desperdicei a alegria da foto. Felicidade? Se foi, se perdeu entre tanta apreensão. Aproveitar o momento? Não, não. Uma coisa sobre meet-and-greets: sempre tive medo. Aliás, sempre tive medo de muitas coisas, muitas realidades. A minha vontade sempre foi me esconder dos amigos que "não me conhecem". Pra sempre.  Já deixei de ver gente querida que estava no meu estado. Já fui até outro estado, vi pessoas queridas e deixei de cumprimentar  Ou então, agora que existe a possibilidade real de emagrecer, emagrecer e pronto, viver a vida normal, jamais deixando alguém saber que eu fui gorda.

É como eu disse uma vez: tem tanto pra perder, que até desanima. Olhar de fora, como me senti olhando aquela foto de meio-corpo, e perceber que a mudança visível nem foi tanta assim. Ou foi e, na realidade, o monstro do passado era um monstro ainda mais gordo. Sei lá.

Não estou desistindo, não. Inclusive, estou ótima e feliz por já ter perdido tanto! São só perspectivas... coisas da vida.

E, pra finalizar, acabo de descobrir que a tal da anorexia invertida existe sim! Se chama "gordurexia". (...) Não estou acreditando. Isso me rende outro texto.

sexta-feira, setembro 26, 2014

Wrapt-Vupt

Dia desses, vi na série uma menina comendo um wrap lindo, todo trabalho na alface! Quis. (Coisa boa querer um wrap e não um donut! Eu costumo me influenciar muito vendo série. Se aparece uma comida, vou querer. Moral da história: veja séries onde pessoas comem saladas e saudáveis.)

Na minha vontade louca, googlei e achei uma receita legal no Adeus Obesidade da Tamy. Porém, fiquei com preguiça de deixar a massa descansar os 40 minutos necessários e depois abrir com rolo — que nem tenho. Então, improvisei, juntei uns ingredientes e ta-daaaa! Criei meu próprio wrap. Adorei e já quero fazer de novo! Recheei com alface e um pouquinho, bem pouquinho, de frango desfiado com requeijão.


(Não sei se a foto tá apetitosa, mas o wrap estava delicioso!)

Dificuldade: Moleza.
Rendimento: 2 discos.

Ingredientes: 

1 ovo
3 colheres de sobremesa bem cheias de farinha de trigo integral (percebi que seria melhor se tivesse sido peneirada, mas não precisa)
1 colher de sobremesa de óleo
Um pouquinho de água (o suficiente pra massa ficar mais pra líquida que cremosa)
Uma pitada de sal

Preparo:

Mexe tudo com o fouet, joga metade na frigideira antiaderente e espalha BEM!
Deixa dourar dos dois lados e tá pronto: wrap integral MAIS GOSTOSO que o do mercado. E sem conservantes ou aditivos!

Pra vocês terem noção, o Rap 10 integral da Pullman tem: farinha de trigo integral, farinha de trigo fortificada com ferro e ácido fólico (farinha branca!), gordura vegetal (sabe-se lá qual), sal, fibra de trigo, conservadores propionato de cálcio e ácido sórbico, fermentos químicos, bicarbonato de sódio, pirofosfato ácido de sódio e fosfato monocálcico e acidulante ácido fumárico. Ui! Cansei. Esse tanto de nome complicado... fujo. Se a gente pode evitar, com uma versão caseira até mais gostosa (confia em mim), pra que gastar mais de 6 reais num pacote desses secos, cheios de aditivos? Sem falar que UMA unidade de wrap integral industrializado contém 11% da recomendação diária de sódio. De morrer.

Extra: Se você gosta de ler rótulos de produtos, você vai gostar do site Fechando o Zíper. Inclusive, tirei as informações do wrap da Pullman de lá. :)

domingo, setembro 07, 2014

O que faz você emagrecer?

Lá no início, depois de eu finalmente ter decidido fazer alguma coisa, qualquer coisa pra mudar, me estabeleci algumas regras. É engraçado de contar. Eu estava num estado tão crítico, tão arrasada, tão dependente da comida, tão gorda, tão sem salvação, tão sensível, que eu precisava de toda a ajuda que eu pudesse me dar.

Tão fraca. Tão brava.

Era a primeira vez que eu tentava mudar a sério e aquilo me embrulhava o estômago, como quando tomo uma decisão importante e como em cada momento realmente intenso que estou prestes a viver. Eu não poderia me deixar vulnerável, disponível. Eu não poderia me permitir ser um alvo ou uma presa fácil pra comida, pra minha fraqueza. Eu precisava me proteger.

Assim ficou firmado que eu não curtiria nenhuma foto de gordice que passasse no meu Instagram. Assim como também deletaria ou ocultaria do celular todas as minhas próprias fotos de comilança das saídas. Descurtiria ou deixaria de receber o feed de todas as páginas de restaurantes no meu facebook. Não poderia deixar nada daquilo visível pra mim. Isso me ajudou muito.

Pra te falar a verdade, eu nunca achei de verdade que pudesse emagrecer. Isso, definitivamente, não era pra mim. Provavelmente morreria gorda.

Quando criança, frequentava a igreja com minha mãe. Sempre nos incentivavam a pedir por milagres. Desde os 7, o meu pedido era o mesmo. "Emagrecer". "Adelgazar". Eu escrevia o pedido até em outros idiomas por tamanha vergonha. Eu pedia, basicamente, pra acordar com outro corpo.  É, o milagre que eu quero é este: faça-me magra!  Bom, Deus nunca me atendeu. Você pode achar absurdo um pedido assim. Eu mesma já me peguei pensando que o correto seria ter pedido por coragem, força de vontade pra mudar... Mas você não pode culpar a eu-criança, nem a eu-treze anos. Ora, se é milagre... Até onde sei milagres são... milagrosos! Surreais. Como mágica. Eu não precisaria fazer nada, só querer. Até onde sei, Jesus fez paralíticos andarem. Poderia ter feito a gorda emagrecer, sim. Às vezes achava que não era atendida por meu pedido ser muito fútil. Não era. Obesidade é doença. Não estou aqui pra discutir religião, nem pra ofender ninguém. Mas você me entende, certo?

Ainda sobre a igreja, tinham épocas que nos propunham jejuns! Eu adorava. Desculpa perfeita pra ficar sem comer sem ter a reprovação da mãe. Bom, isso não adiantava muito. A gente já sabe que comer de três em três horas que é o ideal. De qualquer forma, eu sempre acabava por comer.

Com meus cento e cinquenta e quatro quilos e novecentos, cento e cinquenta e cinco se preferir, não tinha nada a que me agarrar. Deus e eu já não nos falávamos. As calças manequim maior-da-loja seguiam apertadas, com os botões pulando, rasgando do atrito entre as coxas gordas  ali, mais gordas que nunca.

Lembro de gastar em torno de setenta reais, cada vez que ia às Lojas Americanas. Levava pra casa várias barras de chocolate, vários biscoitinhos, vários tudo. Toda sorte de chocolate. Eu poderia mentir descaradamente pra mim todas às vezes, dizendo que guardaria pra depois, que faria render, mas isso nunca acontecia. Geralmente, todo esse estoque esgotava em... dois dias.

Pra mudar, pra querer mudar, é preciso muito! Eu acredito que esse tenha sido o maior esforço que já fiz até hoje.

Veja, não me acho vencedora — ainda. Não porque ainda me restam tantos quilos a perder, que, em perspectiva, parece uma piada. Sim porque vivo deixando fugir minha bravura, minha vontade, minha coragem. Eu já disse, todo mundo sabe, é mais fácil engordar. Todo mundo sabe que é mais fácil, muito mais confortável, desistir.

Você tem que usar o que funciona pra você. Pra mim, um sentimento quase de pena, me serve  "Coitada de mim, estou aqui sofrendo, comendo essa salada enquanto meus amiguinhos comem batata-frita". É bem bizarro, até de confessar. É como uma auto-flagelação. Ter pena de mim me ajuda, algumas épocas, e isso, por si só, me faz ter pena de verdade da pessoa desajustada que eu sou. Por outro lado, julgar e me sentir superior também funciona: "Olha, minha amiguinha sem força de vontade, comendo tudo que vê pela frente. Ainda bem que eu sou superior. Sou forte e superior. Coma bastante aqui do meu lado, pra que me sinta melhor. Superior." Pessoa horrível.

Dentre as opções saudáveis, respirar emagrecimento também me ajuda. Passar o dia vendo receitas, planejando a próxima refeição saudável, controlar o horário da água, controlar a quantidade de água, falar sobre isso, pesquisar sobre isso, olhar a timeline do instagram fit, ver inúmeros vídeos sobre isso. — Emagrecer, emagrecer, emagrecer. Eu quero emagrecer. Pessoas estão emagrecendo. Emagrecer é possível. Buscar alimentação mais saudável. Emagrecer. Emagrecer!  Eu disse saudável? Obcecar com alguma coisa pode não ser tão saudável assim. (...) Obcecar pra fugir. Pra focar. Pra não deixar, nem por um momento, o pensamento escapar: emagrecer.

Lá no meu primeiro mês, como disse, não acreditava que emagreceria. Nunca estive tão angustiada, tão gorda. Estava, mais que nunca, com muito a perder. Seria muito difícil. A primeira pessoa que me fez acreditar que seria possível foi a Petê Camargo. Pesquisando no Google sobre dietas e emagrecimento, me deparei com ela. Sua história me chamou atenção e me encheu de inspiração. Ela tinha perdido exatamente o que eu precisaria perder. Nunca havia sabido sobre ninguém que tivesse perdido tanto. Era possível, então.

Eu tive a ajuda da minha melhor amiga, que me disse que seria possível, que acreditou em mim, que enxugou minhas lágrimas desesperadas e que começou a dieta junto comigo. Como em tudo na vida, ela estava ali por mim.

Agora, vestindo o manequim maior-da-loja, mas desta vez cabendo apropriadamente; agora, com o papo menor, voltado ao normal, tamanho meu padrão  que nunca foi muito grande, comparado as outros gordos; agora, depois de já muitas vezes me sentir bem E emagrecida, vou dando permissão pro cinto se afrouxar. Todos os dias penso em buscar voltar à seriedade dos primeiros dias. Nunca volto. Nunca voltará a ser tão sério, porque já não estou naquela gravidade de situação.

O que eu preciso, e que você precisa, é achar o que te motive — de verdade  a cada novo dia. Porque, depois de um tempo, vai ficando mais fácil, você está adaptada, mais fácil ainda... até que o jogo vira e fica cada dia mais difícil.

Tentar. Insistir. Tentar um pouquinho mais.
Tentar de verdade.
Focar.

Bote a cabeça no lugar. Tome vergonha nessa sua cara! Você não vê o quanto caminhou até aqui?
Veja que não está sendo suficiente.

Pra emagrecer, basta QUERER.

Se você não quer, ninguém pode te ajudar. É mesmo simples assim.
Se você não consegue, você não está querendo. E eu nem digo querendo o bastante; só querer já resolve. Se você QUER, você consegue.

Você não quer.

Não se deixe levar... Eu te peço, não se deixe levar.

Prometa-se.
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quinta-feira, agosto 28, 2014

É impossível comer um só!

Estava eu lavando louça, naquele momento em que os pensamentos flutuam, e me lembrei desse slogan da Cheetos. Fiquei intrigada.  Eu havia acabado de comer três fatias de bolo, daqueles secos de padaria.

Uma hora antes das fatias de bolo, tinha feito minha refeição certinha e após três horas da anterior: mingau de aveia com coco. Delicinha. Estava satisfeita. Daí, me chega minha mãe com esse bolo e eu vou lá e provo. Três vezes. O assunto hoje não sou eu, nem meus fraquejos (Aliás, tô ótima! Separo os fraquejos em conscientes e inconscientes; isso me ajuda e acalma, de certa forma. Esse foi consciente e logo parei). O assunto de hoje é a propaganda. Que tipo de bosta passa na cabeça dos comerciantes pra incentivar alguém (crianças!) a comer porcaria? Que tipo de bosta tem na cabeça de alguém pra incentivar E ACHAR BONITO a compulsão alimentar? "É impossível comer um só!"  É sim! E o que tem isso? Isso é legal? Isso é algo pra você se gabar?

Veja bem, há algo muito errado com a cultura toda. Assim como as vós costumam achar, tortamente, que uma pessoa magra é uma pessoa de pouca saúde  "Você tá muito magrinha, precisa comer!", a mídia parece incentivar isso também. (...) Do que estou falando? As empresas não estão nem aí pra nada, a única coisa que importa são os lucros. Se eles só soubessem o que uma pessoa pode passar por uma relação descontrolada com a comida...

Eu nunca fui diagnosticada com compulsão alimentar, mas eu poderia me descrever como compulsiva. O caso do bolo de hoje, por exemplo. Não era bom, mas era bom, e eu precisava comer mais! Era impossível comer uma fatia só. Pelo menos tive a decência de parar na terceira fatia e não comer a metade do bolo, como antes.

O slogan não podia ser pior. Estava na dúvida se era slogan do Bis ou do Batom; não era nem um, nem outro. Nesse caso, nem a marca ficou fixada na minha cabeça. Mas, sim, a ideia de ser permitido, legal, divertido e, quiçá, obrigatório comer o pacote inteiro.

Tsc. Tudo errado.



Extra: Tirinha sobre Bis que acabei de achar. Muito precisa. Por Fernanda Nia Ferreira "Como eu realmente"

Beijo pra Ana Preguiça que odeia lavar louça.
Beijo pra todas vocês que comentaram coisas tão gentis no post passado. Obrigada.

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