quinta-feira, agosto 28, 2014

É impossível comer um só!

Estava eu lavando louça, naquele momento em que os pensamentos flutuam, e me lembrei desse slogan da Cheetos. Fiquei intrigada.  Eu havia acabado de comer três fatias de bolo, daqueles secos de padaria.

Uma hora antes das fatias de bolo, tinha feito minha refeição certinha e após três horas da anterior: mingau de aveia com coco. Delicinha. Estava satisfeita. Daí, me chega minha mãe com esse bolo e eu vou lá e provo. Três vezes. O assunto hoje não sou eu, nem meus fraquejos (Aliás, tô ótima! Separo os fraquejos em conscientes e inconscientes; isso me ajuda e acalma, de certa forma. Esse foi consciente e logo parei). O assunto de hoje é a propaganda. Que tipo de bosta passa na cabeça dos comerciantes pra incentivar alguém (crianças!) a comer porcaria? Que tipo de bosta tem na cabeça de alguém pra incentivar E ACHAR BONITO a compulsão alimentar? "É impossível comer um só!"  É sim! E o que tem isso? Isso é legal? Isso é algo pra você se gabar?

Veja bem, há algo muito errado com a cultura toda. Assim como as vós costumam achar, tortamente, que uma pessoa magra é uma pessoa de pouca saúde  "Você tá muito magrinha, precisa comer!", a mídia parece incentivar isso também. (...) Do que estou falando? As empresas não estão nem aí pra nada, a única coisa que importa são os lucros. Se eles só soubessem o que uma pessoa pode passar por uma relação descontrolada com a comida...

Eu nunca fui diagnosticada com compulsão alimentar, mas eu poderia me descrever como compulsiva. O caso do bolo de hoje, por exemplo. Não era bom, mas era bom, e eu precisava comer mais! Era impossível comer uma fatia só. Pelo menos tive a decência de parar na terceira fatia e não comer a metade do bolo, como antes.

O slogan não podia ser pior. Estava na dúvida se era slogan do Bis ou do Batom; não era nem um, nem outro. Nesse caso, nem a marca ficou fixada na minha cabeça. Mas, sim, a ideia de ser permitido, legal, divertido e, quiçá, obrigatório comer o pacote inteiro.

Tsc. Tudo errado.



Extra: Tirinha sobre Bis que acabei de achar. Muito precisa. Por Fernanda Nia Ferreira "Como eu realmente"

Beijo pra Ana Preguiça que odeia lavar louça.
Beijo pra todas vocês que comentaram coisas tão gentis no post passado. Obrigada.

quinta-feira, agosto 14, 2014

Caminho de volta

"Sim, eu estou perdida.

Se você contar, não são muitos dias. De repente, são. Não tenho muito como saber. Os pensamentos estão somente em comer. A verdade é que não sei há quanto tempo estou assim.

Eu suspeitei quando escrevi que não estava perdida. O primeiro sinal de fraqueza, de recaída, é negar o problema, mentir para si mesmo. 

Não tenho conseguido me controlar. De repente, parece que tudo que escrevi até agora é besteira. Não interessam os sabores mudados, não interessam os bons resultados, não interessam os quilos deixados pra trás. Fica estranhamente fácil e tranquilo desacreditar que foi verdade um dia. O lugar foi dado à derrota conformada, confortável.

Dia desses experimentei roupas que, antes, não cabiam. Me serviram uma calça antiga e um shortinho que ganhei de presente. A calça ainda carregava o nylon da etiqueta mal arrancada. Não sei se cheguei a usar. Foram poucos meses atrás, quando ganhei o shortinho. Tive que deitar na cama, empurrar as banhas pra dentro e quase explodir o botão pra caber no mimo. E agora dava, subia fácil. Só um pneuzinho contido, muito tranquilo, que, em alguns dias, eliminaria.

Acontece que, poucos dias depois disso, eu engordei. A balança disse e as roupas também. Gramas a mais me fizeram ficar apertada e deformada nas roupas que agora cabiam. 

Veja, engordar é fácil. Se perder, perder o foco e a força de vontade, também.

Ainda não consegui voltar ao meu normal pós quinze dias focados. Não me recuperei. Estou toda desorganizada. Estou tentando. Vou bem até certa parte do dia, todo dia. Até que chega uma hora e leva minha garra toda embora. No dia seguinte, mesma coisa. Está difícil. Desde que comecei a emagrecer, nunca engordei de novo. Pelo menos, não que soubesse. Aliás, essa é outra coisa. Não está me fazendo bem me pesar semanalmente. Vou voltar pro esquema mensal.

(...) 

O engraçado é que eu fico procurando uma corda-resgate pra me segurar e, com isso, só penso nos desafios dos dias sem açúcar, detox, etc etc. Mas, ao mesmo tempo, não quero arriscar. Foi depois do 15 dias sem jacar que me perdi. 

Hoje já me imaginei gorda de novo  Não que eu esteja magra, veja bem."

E eu não terminei de escrever. Abandonei o texto também. Faz três dias que estou com esse bloco de notas aberto.

Enfim, as coisas melhoraram. Pode soar exagerado engordar em dois dias; estar perdida e, três dias depois, estar melhor. Mas não é. O tempo, aqui, está além disso. Dias não significam meros dias pra quem está em constante batalha.

Estou mais calma, mais focada. Pesagem agora, provavelmente, só no fim do mês. Estou indo devagar, não estou me cobrando muito, estou realizando pequenos acertos, estou tentando até não pensar muito, me distraindo, e, assim, fico mais calma. Estou achando o caminho de volta.

Devo agradecer também a minha soulmate, que me deu umas chacoalhadas.

segunda-feira, agosto 04, 2014

Sabores

Eu disse pra vocês. E eu não disse da boca pra fora. Depois de algum tempo se reeducando, quando você vai provar aquela comida maravilhosa, ela já não tem o mesmo sabor — De novo, não vale pra tudo, fique atento.

Desde que terminei o desafio dos dias sem jacar, tenho reexperimentado várias coisas. Deixa eu ver se consigo listar tudo que andei comendo até escrever esse post: doce de leite, beijinho, cachorro-quente, brigadeiro, risole de camarão, guaraná natural, mini salgadinhos fritos, lasanha congelada. Acho que foi isso.

Bom, vamos lá. O doce de leite eu já havia dito que não gostei. O beijinho estava maravilhoso! Beijinho de panela — meia lata de leite condensado e coco ralado. Maravilhoso. Mas me fez muito mal! Meia hora depois, já não existia vestígio dele em mim, vamos dizer assim. O danado me causou tanta cólica que, só se eu não fosse safada, teria parado por ali. Mas não. Era o décimo sexto dia, do post passado — eu estava extravasando. Mais tarde, fui fazer cachorro-quente. Logo após ter lido um pouco mais sobre nitrito e nitrato de sódio e seu potencial cancerígeno. O cachorro-quente estava normal. Não é uma coisa que eu ame muito, só mais uma gordice. Comi duas salsichas em um pão comprido próprio de cachorro-quente.

No dia seguinte, ainda me encarava, de dentro da geladeira, uma lata de leite condensado pela metade. Leite Moça, devo destacar a gostosura. Quis logo terminar com aquilo. Peguei a danada, juntei duas ou três colheres de achocolatado e me fiz um brigadeiro. Sem-graça! Demais. Papa de chocolate. Mingau. Não sei se foi a falta da manteiga... não sei. Mas provavelmente não, porque já fiz muito brigadeiro sem manteiga e me deliciava. Pois bem, não foi agradável. Ruim mesmo. Torcia a colheradas pra acabar.

Já era outro dia e eu havia ido me pesar. O peso continua exatamente o mesmo da semana passada — e eu só pude ficar agradecida por isso, visto que, ali, já tinha atacado tudo que citei acima.

Ainda no "me permitindo", sambando na cara do perigo, fui até minha loja de lanches favorita e peguei meu pedido de sempre: risole de camarão com guaraná natural da casa. "Hmm... o que houve aqui? Esse risole está meio salgado, não está? Deixa eu beber um pouco de guaraná..." — E quase engasgo em tanto açúcar. Não vou negar que estavam gostosos, dentro do possível. Afinal, era minha combinação preferida. Mas nem de longe era a gostosura de antes. Eram dois extremos tão intensos! O salgado, muito salgado e o refresco, muito, muito doce. "Eu adorava esse guaraná! Costumava pedir o copo maior! É sério isso?"— É.

Depois de todas essas experiências meio frustradas, insisti e comprei uma porção de mini salgadinhos fritos. Não estava nem aí, tá percebendo? Haha. Felizona da vida. Os salgadinhos... nhe... meh. Nada demais. Salgados, também. Nenhum prazer neles.

E, pra terminar, hoje almocei lasanha congelada. Fiz até um post sobre ela no instagram. Gostosa? Eu diria que "ok". Nada demais, também. Comeria 3/4 dessa lasanha no passado. Pra ser educada. Comeria tudo, se me deixassem. Ainda hoje, achei que comeria a metade. Que nada! Resisti e me servi apenas com 1/4 e me sinto saciada. O que me deixa muito feliz. :D

Engraçado que, dias atrás — entre uma jaca consciente e outra, planejando a próxima refeição, me peguei desejando comida saudável. "Ah... pizza dormida de café da manhã? Ah, não, quero uma panquequinha de aveia com morangos!" — Era tipo isso. Me surpreendi. Foi engraçado e satisfatório ver a nova eu mostrando a cara, marcando território, batendo o pé.

É incrível como a gente muda. Nosso paladar muda. Tudo muda. Até nosso organismo muda e reclama nas nossas escapadas. — Foi o caso do beijinho, a primeira grande gordice após 15 dias comendo pouco açúcar, pouco sal, pouquíssima gordura. O corpo se acostuma. Mais rápido, até, que a cabeça. Você fica aí lutando pra não pensar naquele x-tudo, naquele pedaço de torta, quando o corpo mesmo, não está nem aí mais. Já não sente a menor falta.

SIM, se a gente se reeducar, se adaptar, dá. Se a gente insiste, a gente se acostuma e o processo, logo, logo, se torna mais fácil. :)

quarta-feira, julho 30, 2014

Só por hoje.

Pois bem. Acabaram-se os 15 dias sem jacar.
Resultado?

Bom, já no décimo quinto dia, que foi ontem, eu fui ao mercado e pirei. Deu vontade de trazer pra casa todas as coisas do mercado. Todas. Coisas que eu nem compro mais. Coisas que nem me apetecem tanto.

Hoje, dia décimo sexto, primeiro dia pós desafio — vencido, está sendo o que as pessoas chamam de "dia do lixo" (êlaiá... eu versus nomeclaturas). A verdade é que não estou comendo nem tanta coisa errada. Mas eu quero declarar o dia de hoje assim! Que seja hoje um dia de muita gordice! Muitaaaa! (A maior gordice do dia até agora foi doce de leite — bem ruim, por sinal — numa metade de crepioca. Nada demais. Mas eu PRECISO me sentir livre, PRECISO dizer que hoje eu posso e vou comer todassssss as gordices do mundo. Estou sufocada.)

O projeto foi lindo. Tranquilo demais, mamão com açúcar. Foram 15 dias bem fáceis de levar. Acho que nos primeiros dias, me deu uma aflição de querer alguma coisa que não podia, já não me lembro bem. Certamente, também tiveram os dias da vontade louca de doce. E os dias da larica geral. Resolvi boa parte disso com banana desidratada.

Tirando os dias mais aflitos, repito, o projeto foi muito tranquilo. Inclusive, pensei em fazer isso uma vez por mês. A ideia original era fechar a boca total pra porcarias durante metade do mês e me controlar e comer porcarias só de vez em raramente, na outra metade do mês. Mas, hoje, vejo que é melhor não.

A verdade é que eu estou em reabilitação. Até mais que isso, porque nunca fui controlada, nunca soube lidar com a comida, minha droga.

Eu, ainda, não tenho capacidade psicológica de me privar totalmente das comidas mais "lixo". Por que? Porque acontece o que me acontece hoje. Hoje, não sei amanhã, eu PRECISO sentir liberdade. É como se estivesse 15 dias em cárcere e agora quero, loucamente, fazer tudo que não pude nesses dias. Não, quero fazer mais que tudo. Quero fazer tudo e mais um pouco!

Você me entende?

Eu não estou nem com vontade de comer alguma gordice específica. Não estou nos dias de larica, não estou nos dias de querer doce desesperadamente. E eu poderia fazer do dia de hoje mais um dia sem jacar. Mas eu não tenho condições psicológicas pra isso. E não é um sistema de recompensa! Não é porque eu fiquei quinze dias clean, que agora posso me recompensar com toda a comida do mundo! Mas é assim que me sinto.

E é por isso que eu concordo com as pessoas que dizem que reeducação alimentar é a melhor dieta. Porque: um, você se reeduca e passa a comer outras coisas, descobrir novos sabores e quantidades e; dois, você não se priva de nada. Isso é importante pra quem tem a cabeça tão envolvida em comer. E a verdade é que, não se privando e se reeducando, raramente você vai comer besteira. A quantidade diminui, os novos sabores entram em cena e, em alguns casos, quando você vai comer aquela comida de novo, ela já não é tão saborosa assim (Claramente, não estou falando de batata-frita com calabresa acebolada!).

Mas, ó, valeu muito a pena! Cada dia superado era uma alegria, um alívio e um 'X' marcado na folhinha! Sim, eu era capaz! — E sou. Só tem o probleminha do pós, que já expliquei. A experiência de postar todas as refeições no instagram, como imaginei, foi muito "seguradora de onda". Afinal, quem quer fazer feio em público? Sem contar que era super legal ver as refeições do pessoal. (Abraço, @dietdukandiary e @robertaluglio!)

Conclusão: não tem conclusão. Eu sou muito volúvel. Concluo que não deveria mais participar de desafios na dieta e me apegar à reeducação. Mas a verdade é que já bati o olho no "10 dias detox". E ainda tem aquele dos tantos dias sem açúcar, que não me escapa! Um dia faço!

E assim vou seguindo, nessa relação de amor e ódio com desafios, instagram, hashtags, nomeclaturas... Perdendo pouco, perdendo muito, parcelando o emagrecimento... mudando.

E hoje vou me permitir. Está tudo bem. Não estou perdida.

sábado, julho 19, 2014

Mas eu tô tão feliz!

Cara, eu perdi 20kgs! 20,95. E isso de tênis :D

Fui me pesar hoje com coragem, mas, também, com receio. Nunca tinha me pesado com um intervalo tão pequeno desde a última pesagem. E eu pretendia me pesar agora só no fim do #15diassemjacar. Cabou que eu gostei tanto do resultado, tô me sentindo tão bem, feliz, emocionada... que tô pensando em fazer disso uma rotina. Todo sábado, caminharei até o centro da cidade pra me pesar  como fiz hoje. Dá uma hora indo e uma hora vindo, em meus passos lentos. E ainda volto pra casa com um sorriso rosto. :)

Nossa, é um sentimento muito bom subir na balança e ver que o teu número diminuiu. E essa semana foi tudo dobrado, porque, reforço, o intervalo foi muito curto  1 semana. Sempre me pesei de mês em mês. Ainda sobre as coisas boas dobradas: bem-estar dobrado, sorrisos dobrados, sensação de paz dobrada, felicidade dobrada. Eu estou ótima! 133,95 é o número atual, fellas. Tava contando de perder gramas! Mas não! Perdi 1,8kg! :D Woooohoooo!

O projeto de não jacar (ahem, estamos dizendo a palavra livremente) está indo bem! Não jaquei nenhuma vez E NEM vou jacar. Até senti culpa por um franguinho mais gorduroso que estava desejando comer, mas, não foi jaca. Até porque, antes, comeria o triplo do que comi, mais uma caminha de arroz  delicioso  branco. E isso seria uma jacada. Mas não, optei por duas colheres de arroz integral, daqueles sete grãos  um achado, tô adorando.

Estou focadíssima, ainda mais depois de hoje. Hoje é o quinto dia de desafio. Eu 5, jaca 0. Sabe que até fiz uma refeição de abacaxi? A experiência foi bacana. Só tinha tomado o suco do abacaxi, e isso já na vida nova. Era daquelas que gritava que odiava a comida, mesmo sem nunca ter provado. A sensação é boa de tentar coisas novas, realmente me reeducar nesse processo de emagrecimento. Nem sempre gosto do sabor. Por exemplo, comi nabo no outro dia e, nossa, que coisinha amarga. Jiló também não gostei. "Ah, mas é pra comer a parte de dentro, a casca é mais amarga"  Desculpa, a parte de dentro?? Com TODAS essas sementes???? Errr... não, nojinho.

Mas faz parte. Nem todas as pessoas do mundo comem todas as coisas do mundo. Normal. Né? Tem coisa que não gosto muito, mas também não detesto; é o caso da melancia  o suco; in natura ainda não provei com coragem suficiente pra valer a opinião. Nesses casos mornos, me forço a comer. Não vai matar, pelo contrário, vai fazer bem. Tô ligada no alto índice glicêmico da melancia, mas, fora ele, ela tem propriedades legais, e uma coisa que me motiva nessa de vida saudável e emagrecimento são os benefícios que os alimentos nos proporcionam.

...E parece que tem jiló pra janta. Será que pego unzinho?

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